Tentativa de suborno

O árbitro de futebol tem problemas que ninguém tem. Para exercer sua profissão somente tem dificuldades. Os juizes alagoanos são iguais a todos os outros do mundo inteiro. Até mesmo nas “cantadas”.

As “cantadas”, mesmo de forma indireta, surgem das mais diversas formas. O ex arbitro, Pelopidas Argolo, em depoimento para o Museu dos Esportes, fez sérias denuncias contra alguns maus dirigentes. Esses maus dirigentes são os grandes problemas dos árbitros. Eles perseguem, criticam, xingam, e muitas vezes, tentam subornar.

Pelopidas Argolo.1

Pelopidas Argola conta que estava escalado para apitar Capelense e Penedense, na cidade de Capela. Com um empate, o Penedense estaria classificado para o quadrangular final do campeonato. No sábado pela manhã, Pelopidas recebeu, em sua casa, a visita do presidente do Penedense, Severino Camilo, que estava acompanhado do treinador do Capelense, Eraldo Lessa. É isso mesmo. Eraldo Lessa era técnico do time adversário. Enquanto o dirigente elogiava a residência do arbitro, o técnico foi direto ao assunto. Disse que o Penedense não podia perder o jogo e esperava que Pelopidas tivesse uma boa atuação. Ao mesmo tempo, Severino Camilo abria sua capanga e, acintosamente, mostrava um punhado de dinheiro. Pelopidas pediu que ele fechasse sua capanga. Já nervoso, Camilo disse que estava apenas tirando um endereço telefônico para entregar a Eraldo Lessa. Ao se despedir, o presidente do Penedense declarou que confiava na arbitragem de Pelopidas.

Depois que os intrusos foram embora, o arbitro e sua esposa foram ao  mercado fazer compras. Ao retornarem, encontraram em sua varanda, um saco de arroz. Seu filho explicou que tinha sido os dois homens que o visitaram logo cedo. Pelopidas arranjou duas testemunhas, colocou o saco de arroz no carro e foram direto para a Casa dos Pobres. Lá, procurou a madre superiora e fez a doação. Ainda recebeu da madre um recibo também assinado pelas duas testemunhas.

O caso foi levado ao presidente da Federação, Heider Silveira, que não gostou da atitude do dirigente penedense. Entretanto, pediu para que o caso não fosse divulgado para a imprensa. Pelopidas Argolo foi a Capela e teve sua arbitragem elogiada pela imprensa e o jogo terminou em zero a zero. Antes do inicio do jogo, o arbitro contou o caso ao funcionário da Federação, Walfredo Oliveira, que falou com Severino Camilo. O presidente se desculpou e disse que o saco de arroz tinha sido um pedido do Eraldo Lessa que queria oferecer a um doutor.

A Decisão do Alagoano de 1969 – CRB 1 x 1 CSA

Era a decisão do campeonato alagoano de 1969. Era a luta do CRB para evitar o pentacampeonato do seu tradicional adversário. No dia 15 de junho, o CRB enfrentava o CSA na Pajuçara para a grande decisão. Os alvi rubros jogavam pelo empate. Tinha sido o clube mais regular do campeonato. Entretanto, naquela tarde, os nervos quase traíram seus jogadores. Mas preocupados em não deixar o CSA ser campeão, o CRB queria ganhar de qualquer jeito. Como somente a vitória interessava ao clube azulino, ele partiu para o ataque e encurralou o CRB no seu campo. O Regatas apenas em contra ataques fazia perigar a meta de Zé Galego. E primeiro tempo terminou em zero a zero.

1969 - CRB na pajucara

Para os quarenta e cinco minutos finais, o CSA aumentou a pressão, e aos 16 minutos, Alderico abriu a contagem fazendo explodir a torcida azulina. Somente depois desse gol é que o CRB sentiu que jogando atrás não ganharia o jogo. O treinador Jorge Vasconcelos mandou seu time para o ataque, e num golpe de sorte, tirou Canhoto II e colocou Roberto. Aos 34 minutos esse mesmo Roberto empatou o jogo acertando um chute de longe que fez uma curva e entrou no ângulo superior da meta de Zé Galego.

Era o gol do empate  e, poderia ser o do titulo. Os nove minutos finais foram emocionantes, talvez, os melhores de todo jogo. Quando Dirceu Arruda apitou o final do encontro, foi um desabafo da torcida regateana. O CRB reconquistava o titulo que havia perdido em 1965. Foi um grande jogo que quebrou o recorde de renda. Na Pajuçara foram arrecadados 18.915 cruzeiros novos.

Um título conquistado com justiça, pois ao longo do campeonato foi realmente, o mais regular.

Detalhes Técnicos.

Data: 15 de junho de 1969.

Local: Pajuçara.

Primeiro tempo: 0x0.

Final: 1×1 – Gols de Alderico e Roberto.

Juiz: Dirceu Arruda.

CRB: Pompéia. Ademir. Nadinho. Roberto Menezes e Altair. Rinaldo e Erb. Soca. Jailson. Canhoto II (Roberto) e Canhoto I.

CSA: Zé Galego. Ciro. Paranhos. Tadeu e Barbosa. Zé Luis e Eric. Ratinho. Giraldo. Déo (Alderico) e Petruce.

Brasil – Campeão Sul-Americano de 1949

1949 - Brasil sulamericano de 1949

A seleção brasileira, dirigida por Flávio Costa, preparou-se com cuidado para o Sul-Americano de 1949. A rigor, a CBD cometeu apenas um erro, o de aceitar a imposição das federações do Rio e de São Paulo para escalar mais cariocas em São Januário e mais paulistas no Pacaembu.

 O primeiro jogo aconteceu no dia 3 de abril em São Januário. Foi um passeio – Brasil 9 x Equador 1. Gols de Simão 2. Tesourinha 2. Jair 2. Otávio. Zizinho e Ademir.  No segundo compromisso, no Pacaembu, o Brasil massacrou a Bolívia marcando 10×1. Gols de Nininho 3. Simão 2. Cláudio 2. Zizinho 2 e Jair. O terceiro foi ainda em São Paulo. O Brasil ganhou do Chile por 2×1. Gols de Cláudio e Zizinho. No jogo contra a Colômbia nova vitória do Brasil por 5×0. Gols de Ademir 2. Tesourinha. Canhotinho e Orlando. A partir daí, a seleção voltou a atuar em São Januário.  Goleou o Peru por 7×1. Gols de Jair 2. Simão. Ademir. Orlando. Augusto e Arce contra. Contra os uruguaios nova goleada: 5×1. Gols de Jair 2. Zizinho. Danilo e Tesourinha.

 

Depois de tantos resultados com goleadas, a seleção brasileira chegou a final contra o Paraguai como favorita absoluta. Ninguém poderia admitir que os guaranis pudessem resistir ao time de Flávio Costa, ainda mais que ao Brasil bastava um empate. Na tarde da decisão, um domingo, em São Januário, o Brasil entrou em campo com Barbosa. Augusto e Wilson (Mauro). Eli. Danilo e Bigode. Tesourinha. Zizinho. Otávio. Jair e Simão. O Paraguai formou com Garcia. Gonzalito e Céspedes.Gavillan. Nardelli e Cantero. Fernandez. Lopes. Arce. Benitez e Avalos (Barrios). Diante da estupenda torcida que lotou São Januário, a seleção fez uma péssima partida, apesar de ter saído em vantagem no marcador com um gol de Tesourinha. No segundo tempo, porém, jogando com muita garra e empenho, Avalos e Benitez deram a vitória ao Paraguai por 2×1. O impossível aconteceu.

 

Para a partida desempate, marcada para quarta feira à noite em São Januário, Flávio Costa fez algumas alterações. Para o lugar de Wilson escalou desde do inicio Mauro, então com 19 anos. Sacou Bigode e colocou Noronha. No ataque barrou Otávio e fez entrar Ademir. O resultado foi surpreendente: cumprindo uma excelente atuação, o Brasil venceu por 7×0. Gols de Ademir 3. Jair 2 e Tesourinha 2. E com essa goleada o Brasil conquistou o campeonato sul-americano de 1949.

Tribuna da Imprensa de 1987.

 

A estreia de Dida no Flamengo

O atacante alagoano Dida que começou no juvenil do América (foto) conta como foi sua estréia no time principal do Flamengo. Tudo começou com a sua ida para o clube rubro negro em meados de 1954. Começou nos aspirantes onde era o artilheiro do clube. Sua grande oportunidade no time principal aconteceu no dia 17 de outubro do mesmo ano. Ele mesmo é quem conta como foi.

Dida - com Joel. Rubens. Indio e Baba - estreia -1954

 

– Só fui avisado de que iria entrar, na véspera do jogo. E, é claro, me emocionei muito. Olha o time do Flamengo: Garcia. Tomires e Pavão. Jadir. Dequinha e Jordan. Joel. Rubens. Indio. Eu e Babá. No ataque, além de Joel. Rubens e Indio, ainda eram titulares o Benitez e o Esquerdinha e, quando um deles se machucava, entrava Evaristo. Mas aconteceu de o Benitez e o Evaristo se machucarem ao mesmo tempo. Então, tive a minha chance. E o Fleitas Solich colocou também o Babá que jogava comigo nos aspirantes, para me dar apoio. No final ganhamos de 2×1, gols de Rubens e Indio. No Vasco quem fez, se não me engano, foi Pinga. Jogamos bem e agradamos a torcida do Flamengo e a imprensa. Em seguida, veio Fla-Flu, 0x0, que também joguei. Depois, o Evaristo se recuperou e voltou ao time titular. Só entrei no time novamente contra o Olaria, quando marquei três gols. Daí em dia nte, fui me firmando como titular. O curioso é que só consegui ser artilheiro em 1955, com 16 gols, no time de cima, e 24, nos aspirantes.

E Dida tinha, naquela época, um terrível adversário. E ele comentou.

– O goleiro Barbosa, do Vasco, era demais. Principalmente pela sua colocação. Eu entrava, driblava, chutava e lá estava ele, parado encaixando a bola. Ou então, ameaçava que ia para um lado e ficava esperando o chute, no outro. Não errava. A gente chutava e ele defendia. Foi o maior goleiro que vi jogar.

A maior vaia no Maracanã

Brasil 2 x Inglaterra 0 - Gol de Julinho

Irritado com a barração de Garrincha o torcedor passou a perseguir seu substituto, o ponta Julinho, provocando a maior vaia da história do Maracanã. Na tarde de 13 de maio de 1959, o Brasil enfrentou a Inglaterra em partida amistosa. Mais de cem mil torcedores foram surpreendidos quando os altos falantes do estádio anunciaram a escalação do time brasileiro. Julinho no lugar de Garrincha.

Muito se especulou a respeito daquela substituição inesperada momentos antes do jogo. Dirigentes da CBD explicaram que o Mané sentiu uma contusão, além de que não estar no melhor de sua forma.  A verdade, porém, é que Garrincha escapou da concentração para mais uma de suas aventuras amorosas. Como não tinha condições de correr os noventa minutos foi barrado. A torcida não sabia de nada e explodiu numa vaia quando o nome de Julinho foi anunciado pelo locutor do maracanã que, esperou que a vaia terminasse para continuar a escalação do Brasil.

Durante a história do maracanã jamais um jogador foi vaiado com tanta intensidade. E o pior é que Julinho não tinha nenhum culpa do que estava acontecendo. À medida que o tempo foi passando, Julinho foi se enchendo de confiança. Passava como queria por seu marcador, chegava à linha de fundo e cruzava para Pelé e Henrique. As vaias começaram a cessar. Mais confiante ainda, Julinho resolveu humilhar o lateral inglês. A torcida  começava a vibrar com as grandes jogadas do numero sete do Brasil. Quem tinha pago para ver Garrincha, estava vendo Julinho, o melhor jogador em campo. Quando ele marcou o primeiro brasileiro, o torcedor aplaudiu de pé. Ao final da partida, Julinho chorou por tudo que passou naquele dia 13 de maio de 1959.

Este episódio serviu para mostrar como a torcida é volúvel.  As mãos que apedrejam, são as mesmas que aplaudem.

As amarguras de um craque – Pires

O zagueiro Pires jogou em quase todos os clubes alagoanos. Foi dopado. Passou privações. E do futebol levou apenas os fatos tristes que viveu, um amargor que o acompanha todas as horas.

 Foram tantas as cicatrizes que Pires não consegue esconder os ferimentos. Ele gostaria de escrever uma tese para descobrir ou explicar porque perdeu tantas batalhas. Cansado da guerra no futebol, nos últimos anos de sua carreira ele não alimentava sonhos e, simplesmente brigava pela sua sobrevivência.

 Pires passou a odiar as coisas do futebol. E sua primeira decepção veio aos 20 anos quando foi dispensado da Portuguesa de Desportos assim que ultrapassou a idade para a categoria juvenil.  Ele odeia ainda mais porque foi no futebol, no qual confiava como meio de vida, que o levou a não ter opções de escolha. Ele jogava por uma questão de sobrevivência. Sua esposa, a assistente social Maria Augusta Tavares Pires, passou muito tempo como a chefe da família.  Ela arcou com todas as despesas e deu moral para Pires para continuar lutando e voltar aos estudos. E ele terminou o curso de Psicologia.

Pires - CSA - 1973

 Apenas não foi obrigado a se dopar no juvenil da Portuguesa, no CSA e no CRB. Nos demais clubes foi obrigado a tomar bolinha embora não precisasse. E ai começou toda a revolta do zagueiro que bebeu toda a taça de amargura de que o futebol é pródigo para aqueles que sonham com um mundo feito de aplausos, grandes vitórias e muito dinheiro, alegria reservada a uns poucos.

 Em  1975, foi obrigado a pedir rescisão de contrato com o Canavieiro de Capela porque não suportava  o que via – O técnico Zé Cláudio, certo dia surrou o jogador Mauricio, que chegou embriagado à concentração. As surras passaram a ser uma constante para todos aqueles que desobedecessem as ordens do Zé Cláudio.

 Quando foi dispensado pela Portuguesa veio tentar a sorte em Alagoas. Antes, passou por Sergipe e não conseguiu acertar com Confiança e Sergipe. Pagavam apenas o salário e ainda queria ficar com seu passe. Chegou ao ASA de Arapiraca em 1970 e foi vice campeão alagoano.  O time logo se desfez e Pires assinou com o São Domingos, onde permaneceu até 1974 vivendo bons e maus momentos. No clube tricolor perdeu um carro por falta de pagamento. O clube atrasou os salários e ele não teve como pagar a concessionária. 

Pires - no Sao Domingos

 

Nesse mesmo ano foi para o CSA onde disputou o campeonato brasileiro. Quando pensou que estava tranqüilo, o clube começou a passar por dificuldades e Pires fez parte da lista de dispensados. No clube azulino conheceu o pior de todos os dirigentes do futebol: Dr. Haroldo Dionísio. Prometia aos jogadores o paraíso e o mandava para o inferno. Para não ficar parado foi para o Canavieiro  e não demorou pelas atitudes do Zé Cláudio. No ano de 1976 encontrou um bom dirigente: Fernando Gomes no CRB. E assinou seu melhor contrato. Luvas de 40 mil cruzeiros e 5 mil mensais. O que ganhou com o futebol ? Juntando todo tostão que ganhou, comprou dois terrenos e um carro.

 E a experiência que ganhou no futebol? Em todo clube pequeno por onde passou havia doping. Dos dirigentes apenas uma boa experiência. Dos colegas, uma opinião neutra. Pena que os jogadores deixem os dirigentes fazerem o que bem entendem.  Pires sempre foi um leão dentro do campo. Nos treinamentos era o primeiro a chegar e o último a sair. Conquistou apenas dois títulos de campeão pelo CRB. Nem mesmo esses títulos serviram para diminuir a amargura que Pires acumulou no futebol. É grande a responsabilidade que o jogador carrega. A torcida e os dirigentes querem vitórias e títulos. Ninguém quer saber dos problemas que os jogadores, muitas vezes, é obrigado a levar para dentro do campo.

O Alexandria também foi campeão

1947 - Alexandria - 1

Clube organizado pelos diretores da Fabrica Alexandria que ficava no bairro do Prado, o Alexandria conseguiu reunir um grupo de veteranos jogadores com jovens valores do futebol alagoano. Uma mistura que deu certo. Dirigido técnicamente por Temistocles e, tendo como presidente Cleto Marques Luz, o clube alvi negro disputou um campeonato com dois turno e seis clubes participando: Alexandria. CSA. CRB. Barroso. Esporte e Comercio.

 

No primeiro turno do campeonato de 1947, o Alexandria perdeu apenas para o CRB por 1×0. Foi o campeão disparado. Para a segunda etapa do certame, o clube do Bom Parto caiu de produção e, permitiu que o Barroso ficasse com o titulo de campeão do segundo turno. Com as péssimas atuações do Alexandria começou a surgir um jovem goleiro que passou a ser, sempre, a maior figura do clube. Bandeira se transformaria, ao longo dos anos, em um dos maiores goleiros do nosso futebol.

 

Com o Alexandria vencedor do primeiro turno e o Barroso do segundo, foi necessário uma melhor de três para decidir o campeão de 1947. Decisão que aconteceu no mês de março de 1948. No primeiro jogo o Alexandria venceu por 3×1. Como colocou em campo o jogo Euclides II sem condições de jogo, o Barroso ganhou os pontos. Na segunda partida o Alexandria goleou por 7×1. O terceiro encontro terminou em 1×1, resultado que deu ao clube de Cleto Marques o titulo de campeão. O time que terminou o campeonato era a melhor formação da temporada. Bandeira. Jaú e Crispim. Dé. Galego e Euclides. Caverinha. Bequinho. Seu Zé. Benvindo e Toscano. Também foram campeões os atletas Cidra. Euclides II. Zé Pretinho. Zé Augusto. Olivio. Vicente. Ditinho. Batista. Roldão e Sabino.

No Futebol de Salão o Jaraguá Tênis Clube venceu o Santa Cruz

No ano e 1956 o Futebol de Salão vivia um de seus melhores momentos. O Flamengo era o clube que mais títulos conquistou nesta fase. Mas duas outras equipes participavam dos campeonatos e sempre davam muito trabalho quando jogavam contra o clube da Praça Deodoro.

No mês de setembro, no Ginásio do Clube Fenix, Jaraguá Tenis Clube e Santa Cruz, que era um time formado por militares do Exército, realizaram uma partida sensacional. A movimentação constante do marcador mexeu com um bom publico que compareceu para prestigiar o jogo.

1955 - Jaragua Tenis Clubes - 2

No final, uma vitória o Tenis por 6×5.

Só o Santa Rita marcou cinco vezes. Napoleão completou os seis gols do Tenis.

Murilo Mendes 3 e Ribeiro 2 foram mos goleadores do Santa Cruz.

O Juiz foi Keneth Cox auxiliado por Paulo Sá.

O Santa Cruz jogou com Lailton. Ribeiro. Murilo Mendes. Mario (Madalena) e Calú.

O Tenis venceu com Chipaca. Napoleão. Zito Sarmento. João Moura (Louvain Ayres) e Santa Rita. O interesse nesse time que é apenas o goleiro Chipaca não jogou futebol de campo. Louvain Ayres, que jogou pelo CRB e Barroso, já tinha abandonado o futebol. Napoleão jogou no CSA. Santa Rita atuou pelo CRB. Zito Sarmento e João Moura jogavam no Esporte Clube Alagoas.

Contando histórias

Louvain Ayres(foto), ex-zagueiro do CRB e do Barroso. Foi também um dos excelentes árbitros do nosso futebol. Talvez um árbitro diferente. Ele não admitia que jogadores de times grandes humilhasse seus colegas de equipes pequenas. Ele apitava de maneira curiosa. E foi Louvain Ayres que nos contou um dos casos mais interessantes do futebol alagoano.

Barroso - Louvain Ayres

Tudo começou quando o CRB foi a cidade sergipana de Propriá. Era um dia de festa para a cidade. O futebol estava de volta. Depois de muitos anos, os torcedores poderiam ir ao Estádio para vibrar com seu novo time. O clube alagoano levou seu time principal e mais um árbitro, Louvain Ayres.

Antes da partida, Louvain chamou os jogadores para dizer que a cidade estava em festas, e  depois do jogo ia haver muita cerveja e salgadinho, por isso, o resultado era o menos importava. Um empate até que seria bom.

Quando começou e Paulo Patriota marcou o primeiro gol do CRB, Louvain chamou o jogador alagoano e pediu para não repetir a dose porque ele seria expulso de campo. Não demorou muito, e novamente Paulo Patriota assinalou um novo gol. O juiz alegando irregularidade anulou o gol do CRB. Paulo reclamou e foi expulso. Segundo o difícil foi fazer o jogo terminar empatado. O CRB era muito superior e estava sempre perto do segundo gol. O time de Propriá era muito ruim e não ameaçava a meta do CRB. Louvain procurava ajudar. O jogo estava terminando, a noite chegando e nada do gol do empate. Já passando dos noventa minutos, Louvain arranjou um pênalti contra o CRB. O sergipano bateu e o goleiro Galego defendeu. Houve irregularidade na cobrança e Louvain mandou bater outra vez. Nova cobrança com bola da rede. Para o árbitro estava completa a festa.

Paulo Patriota, também depoimento que nos prestou, não só confirmou o a história do Louvain Ayres, como também fez um complemento. Paulo não entendeu porque, no jantar  de confraternização, recebeu a gratificação de apenas cincoenta cruzeiros que os demais companheiros receberam cem cruzeiros. Ele procurou um diretor do clube que explicou que o desconto foi pela besteira que cometeu assinalando o gol de CRB. Até parece que, apesar de amistoso, havia mais alguma coisa neste jogo.

Interventor obriga CSA enfrentar CRB

Mario Lima

Mario Lima

Em 1941, aconteceu um fato interessante envolvendo os tradicionais clubes da cidade. Um caso que mostra como era a rivalidade entre CSA e CRB. O clube azulino tinha sido Campeão no ano anterior e o clube da Pajuçara contratou alguns jogadores de outros Estados para reforçar sua equipe.

O Interventor de Alagoas, Ismar de Goes Monteiro, achou que um jogo entre azulinos e alvirrubros poderia arrecadar fundos para a campanha de ajuda aos leprosos. Em princípio, o presidente do CSA, Paulo Pedrosa, não aceitou participar do jogo. Achava que, naquele momento, o CRB estava muito melhor pelas contratações que havia feito. Dizia que o CRB queria vencer o Campeão de qualquer maneira. Mesmo assim, aceitou comparecer ao Palácio dos Martírios para conversar com o Interventor Góes Monteiro e o presidente do CRB Rui Palmeira.

Devido as pressões recebidas pelo Interventor, e os conselhos de amigos, Paulo Pedrosa aceitou o desafio, mesmo contra sua vontade. Quando Rui Palmeira indicou para apitar a partida o Tenente Hugo, o CSA  não aceitou. Para os azulinos, Hugo era torcedor do CRB e, desse jeito, não tinha graça. A situação somente ficou calma  quando indicaram o Major Mário Lima para apitar a partida.

O jogo foi realizado no Mutange. O CRB estava estreando Miguel Rosas, Lisboa e Luiz Hamilton. No final, a grande surpresa da tarde. Vitória do CSA por 3xO.

O jogo foi realizado no dia 12 de outubro de 1941. Os gols do CSA foram de Pedrinho, Emiliano e Toscano. O juiz foi Mário Lima e o clube azulino ganhou com Palito. Raul e Nhô. Paurilio. Prazeres e Rui Craveiro. Clywton. Emiliano. Pedrinho. Sales (Toscano) e Murilo. O CRB perdeu com Lisboa (Periquito). Osvaldo e Miguel Rosas. Ventania. Gabino e Luiz Hamilton. Cão. Ramalho. Arlindo. Duda e Luiz Quirino.

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