Copa FIFA cada vez menos esportiva

A decisão da FIFA de aumentar o número de participantes na Copa de 2026 é política. A entidade não é diferente das outras federações. O argumento é bonito. Fala em democratizar o futebol e desenvolver o esporte em países considerados pequenos. Faz o oposto. As eliminatórias já cumprem o papel de democratizar a Copa. A própria entidade considera com uma etapa preliminar do mundial. Com as eliminatórias menos competitivas, os países considerados pequenos podem ganhar a vaga pela facilidade e não pelo pelo esforço de superar seleções mais fortes.

O torneio vai sofrer muito com a mudança. A seleção que folgar na primeira rodada só vai jogar depois muitos dias do inicio da competição. Com três times em cada grupo, o risco de jogos de faz de conta na última rodada aumenta. É política a determinação e não esportiva. A Copa do Mundo e o futebol perderam.

Marinho é jogador de futebol

Já tá na hora de deixar de lado as entrevistas engraças de Marinho e começar a observar o cara como jogador de futebol. Foi bem no Ceará, mal em um Cruzeiro que ninguém foi bem e agora disputa uma vaga na seleção do campeonato jogando muito bem por um time ameaçado de rebaixamento, o Vitória.
Sem exageros de dizer que ele é seleção, apenas ser primeiro reconhecido como jogador e depois como um jogador folclórico. É bom jogador e deve receber mais uma chance em um clube de ponta em pouco tempo. Terá mais uma chance de provar que é muito mais do que o cara da entrevista engraçada.

 

Leonardo e o futebol.

14469635_1360306867332832_7615633873138047615_n (1)

No último sábado, 24 de setembro, foi o dia de Leonardo realizar um sonho e fazer o futebol respirar. Entrou em com o CRB e ficou impressionado com a torcida cantando para alvirrubro. Até aquele dia ele só foi torcedor na arquibancada. Agora ele viu e sentiu a atmosfera que ajuda a produzir para os jogadores do seu time. Falou para a Mãe que seu coração batia forte. O futebol conquistou de vez o coração do pequeno torcedor.

Quando uma criança se emociona com o futebol, o esporte mais querido dos brasileiros respira. A criança é a esperança para que qualquer coisa sobreviva. E se o futebol ainda consegue cativar os pequenos, isto significa que ainda vive e pode sobressair aos atos violentos de alguns estúpidos torcedores.

Agora ele não fala de outra coisa que não seja o dia que realizou o sonho de entrar em campo com o seu time de coração. Dificilmente alguém conseguirá tirar do futebol do Léo. Para que isto se confirme, não podemos mais aceitar que o futebol seja visto como o local de violência. O futebol é o esporte da bola da rede, do grito de torcida e da criança encantada.

Começou bem. Mas, vamos com calma.

Depois de muito tempo sentimos prazer com a seleção brasileira de futebol. A última vez foi na final da Copa das Confederações, quando o time arrasou a Espanha por 3×0, no Maracanã. Uma ilusão que foi apagada com vergonhoso e histórico 7X1. No segundo jogo com Tite no comando, mais uma vitória e mais uma boa partida. Precisamos ter calma na análise. Ainda estamos longe do que representa a vitoriosa história da seleção canarinho.

 

Antes de entrar na euforia e pensar que “o campeão voltou”, é prudente lembrar que a comparação é feita com o time 7×1 e desorganizado time de Dunga. Qualquer evolução será melhor que antes. Não tira os méritos de Tite e o reconhecimento do melhor futebol e organização do time, mas exige calma. Nosso parâmetro não pode baixar. O futebol brasileiro precisa ser resgatado e qualquer instante de euforia pode esconder a realidade. Antes das Copas de 2010 e 2014 o Brasil venceu a Copa das Confederações e escondeu as limitações. O resultado foi uma eliminação nas quartas em 2010 e um vexame em 2014.

 

Tite é nosso melhor treinador e tem toda condição de recuperar tecnicamente a seleção brasileira. Nos dois jogos, mesmo com poucos treinos, apresentou um time compacto e aproveitou as virtudes de seus atletas. Conseguiu fazer com que fosse esquecido a polêmica convocação de amigos do Treinador. Levou um time dos jogadores que ele confia e deu certo. Começou a caminhada e aumentou a esperança por dias melhores. Mas, vamos com calma. Os últimos grandes momentos da seleção foram ilusões para futuros vexames.

O CSA voltando ao seu lugar

 

Depois de anos de sofrimento e dúvidas sobre o futebol do Centro Sportivo Alagoano, a torcida azulina volta a comemorar mais uma grande conquista. O CSA se despediu da série C e consegue finalmente firmar um calendário sem precisar do campeonato alagoano como classificatório. Volta a poder planejar um ano por inteiro. Volta ao seu lugar de importância no futebol brasileiro.

Em um ano de recuperação, mesmo com destaques dentro de campo, a torcida foi o grande craque. É o que acontece com os grandes. Quando precisa sair do buraco a torcida vai junto. Agora disputa o título da série D. Vai tentar o pioneirismo de um time alagoano em ganhar um campeonato nacional. Tem total condições para a conquista. No entanto, mesmo importante, já conseguiu fazer um grande ano. 2016 pode ser o ano do renascimento do CSA.

Eles esqueceram(?) que não gostamos de esportes.

Se tivesse direito de voto, não aceitaria o Brasil como local para realização dos Jogos Olímpicos de 2016. Primeiro por saber que tomariam conta da organização e execução das obras os mesmos que não sabem tomar contar do país. Depois por saber que vamos repetir o que aconteceu com os Jogos Panamericamos e Copa do Mundo de Futebol e o legado esportivo será mínimo. Perdemos a grande oportunidade de sair da monocultura esportiva e começar a virar uma país esportivo. Tenho fé que vamos repetir Panemricano e a Copa apenas em uma condição. O esporte vai prevalecer do primeiro ao último dia de competições. Um alento, mas é pouco.

Quem trabalhou para trazer a mais importante competição esportiva para o Brasil esqueceu ou não se importou com o fato que somos um povo que não aprendeu a gostar de esportes. Gostamos apenas de futebol, sobretudo do nosso time. Nunca foi de interesse de autoridades a promoção de esportes que não seja o futebol e muito menos a criação de uma política esportiva. Os discursos são os mesmos que utilizaram antes das duas outras importantes competições. Palavras ao vento e com menos credibilidade. A cobrança é maior por se tratar de uma competição que infelizmente não comove tanto quanto uma Copa do Mundo.

Como esporte que gostamos não é atrativo durante os jogos olímpicos e entendemos muito pouco dos outros esportes, a organização vem sendo mais observada. Durante a competição o esporte prevalece, as marcas serão mais importantes, mas não chama tanta atenção quanto a bola na rede em uma Copa. Os atletas brasileiros deverão conseguir várias medalhas, mas também será relevante se a gente sair da competição cobrando maior responsabilidade de quem dirige o país e o esporte o brasileiro. Este seria nosso grande legado.

A nova seleção já começa velha

camisa-selecao-brasileira1

Não crie a esperança que os gestores da CBF passaram a se preocupar com o futebol e escolheram o novo treinador pelo critério técnico. Ao contrário do que aconteceu depois 7×1, a lama da CBF está escancarada e não existe melhor escudo que Tite, o preferido da opinião pública. Eles estão repetindo o que fazia Ricardo Teixeira. Eles escolhia alguém que torcida e imprensa queria. Era o escudo e a possibilidade de uma seleção jogando bem.

Dentro de campo, Tite deve melhorar o jogo da seleção brasileira. Tem competência para isso. O problema é que pega uma terra mais arrasada do que a recebida por Dunga depois da humilhação na Copa. Não tem nada o que se aproveitar do time de Dunga. Até Neymar, o único fora de série, tem sido o problema. Entre declarações e atitudes dentro de campo, o craque tem sido um cabeça de bagre.

Tite vai assumir com a responsabilidade de vencer a Copa. O projeto é sempre este. Se perder cai fora, vamos culpá-lo e procurar uma nova solução. Dunga era um problema pela falta de competência para treinar a seleção neste momento delicado, mas não era o maior deles. O problema maior é de mentalidade. E isto está na CBF, nas federações, nos clubes e até em nós, torcedores. O futebol brasileiro precisa ser estudado para ter uma solução. E não vai acontecer com essas pessoas.

Del Nero, o presidente da CBF, sabe que bons resultados vão fazer com a opinião esqueça que ele é investigado pelos problemas com corrupção da FIFA. Caso aceite, Tite sabe onde vai trabalhar. O desafio de recuperar a seleção brasileira é maior que qualquer coisa que ele possa conquistar no Corinthians. Não acredito que seja volta do futebol mágico, mas pode ser um retorno de um bom futebol e competitivo. Fora de campo ela continuará velha e nojenta. Só não sabemos o quanto isso vai continuar atrapalhando o jogo da seleção.

Esfriou e continuamos desprotegidos

Como era esperado, depois da comoção na semana posterior a selvageria no clássico das multidões, o tema esfriou e nada de efetivo para buscar uma solução para o problema da violência no futebol foi feito. A Polícia vem cumprindo seu papel e continua investigando e prendendo alguns envolvidos, mas não este o único problema. Como seguiremos nossas vidas em estádios de futebol? Como convencer os torcedores que não vão aos jogos por conta da violência a voltar aos estádios?

 

As propostas para coibir a violência são sempre as mesmas. Extinção de torcidas organizadas, torcida única, proibição do uso de camisas e outras medidas que desde 1995 são utilizadas em outras unidades da federação e nada resolveu. Futebol é algo cada vez mais caro e o serviço não evoluiu. Mesmo sem ser ofertada um bom programa para quem sai de casa para participar de um jogo de futebol, o torcedor segue sendo cobrado por não participar.

Muitas pesquisas indicam a violência como principal motivo para pessoas abandonarem os jogos de futebol. Mesmo assim preferimos reclamar de quem não vai. Os que ainda aceitam pagar pelos jogos não recebem afagos. São destratados desde o momento que compram o ingresso até a saída. Além dos riscos da violência, pagam caro e recebem muito pouco em troca.

Como sempre aconteceu, cada uma se esquiva à sua maneira da responsabilidade. Tem sobrado para o futebol. Perdemos as bandeiras, as faixas e já se articula uma única torcida em clássicos. Medidas que punem o futebol, que também é vítima da violência, mas parece ser o culpado pelas soluções que apresentam para eles.

Mais uma vez não vamos sentar para discutir o problema e tentar resolvê-lo. Infelizmente não surpreende. Vivemos em um país onde violência fascina e as autoridades não sentam discutir soluções. Não seria diferente no futebol. Continuaremos à espera de uma tragédia para discutir e não concluir nada. Continuaremos sendo punidos e pouco protegidos.

Aguente firme, amigo futebol. Estamos com você!

Meu grande amigo, sei que não anda fácil as coisas para você aqui no Brasil. É verdade que nunca organizado, mas agora exageraram. Sobrou para você até a violência que outros praticam. Não bastasse ter transformado a sua arte em algo difícil de ser visto, tiraram as bandeiras, baterias e fogos, diminuindo o brilho da sua festa. Agora querem que apenas uma torcida participe do espetáculo.

Não vão lhe matar o futebol. Os que lhe amam ainda são maioria. Eles podem nos impedir de usar camisas, bandeiras e até de ir aos jogos. Mas eles não conseguem proibir nosso fascínio pela mais emocionante invenção do homem.

Amigo, tenho certeza que você vai superar esse momento. Você que estaremos sempre com você!

Mais que uma final

Uma final tem a importância de o vencedor receber a taça ao final do duelo para celebrar o título de campeão. Mas a final do alagoano 2016 tem um ingrediente especial. Teremos um clássico. Existe máxima no futebol onde é dito que clássico é um campeonato à parte. Logo, na final do alagoano, CSA e CRB disputam duas competições. E para cada um, mesmo sabendo da importância de um título, o que mais vale é vencer um rival. A taça será o símbolo não apenas de um título de campeão estadual, mas também o vencer um clássico.

Voltar ao topo