Fb0bfd86 842b 48bd bab1 9dd4f4fd637a Cristiane (ao lado da Marta) defendeu a Seleção durante 17 anos (Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters)

A atacante Cristiane Rozeira anunciou nesta quarta-feira (27) seu desligamento da Seleção Brasileira. A decisão da atleta foi motivada pela demissão da treinadora Emily Lima, quem comandou a equipe por 10 meses. Para o lugar de Emily, a CBF trouxe de volta Vadão.

Um sonho interrompido

Em seu Instagram, Cristiane publicou uma série de vídeos para explicar a causa da saída. Entre as razões apontadas, ela citou o prazo dado à ex-treinadora e sua comissão, que, conforme relatou, desenvolviam um bom trabalho com o grupo.

A atleta vestiu a ‘amarelinha’ durante 17 de seus 32 anos. A paulistana é considerada a maior artilheira do futebol olímpico tanto no feminino quanto no masculino.

Confira a primeira parte do relato de Cristiane:

"Foi a decisão mais difícil que já tomei até agora. Pensei muito depois de todos esses acontecimentos. Mas não vejo outra alternativa por conta de coisas que eu não tenho mais força para aguentar. Aguentei por 17 anos, mas não dá mais.

Hoje se encerra meu ciclo na seleção brasileira. Fico triste por saber que não vou jogar minha última Copa América, minha última Olimpíada, a última Copa do Mundo. É muito difícil pra mim porque era meu sonho, colocar uma medalha de ouro no peito, ajudar a modalidade de alguma forma. Eu espero que com esse vídeo talvez ajude. Se eu não pude ajudar tanto assim como atleta, que eu possa ajudar como ex-atleta.

Foi bem difícil pra mim quando essa comissão foi mandada embora. Ano passado eu me chateei por causa da minha lesão e eu desanimei com a seleção. Essa comissão me mostrou coisas diferentes, a Emily falou comigo e eu voltei. E aí simplesmente tiraram essa comissão sem que a gente conseguisse entender. Todas as outras comissões que passaram tiveram bastante tempo de trabalho, essa não. Por quê? Porque era mulher? Porque trabalhava demais? Porque brigava por nós? São coisas que a gente não consegue entender. São porquês que a gente não vai ter resposta e eu nem sei se quero mais essas respostas."

“É futebol feminino, mas não tem mulheres”

Cristiane abordou ainda a carta que algumas atletas assinaram e entregaram a Marco Polo Del Nero, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na qual pediam para que a comissão de Emily não fosse demitida, visto que só tinham dez meses de trabalho. “Sempre foi assim. Pedimos, mas ninguém escuta”, declarou a artilheira.

Ela ainda fez um “último pedido” a Del Nero, solicitando que o cartola revesse a diária das garotas, além de esclarecer as dúvidas sobre os direitos de imagem. “É fácil bater no peito e ir à televisão dizendo que dão todo o suporte que precisamos, quando existe coisas erradas”.

A camisa 11 afirmou que respeita a comissão de Vadão – quem assume o comando no lugar de Emily, pela segunda vez – , mas ressaltou que ele e sua equipe já tiveram uma chance e questionou o porquê de Emily não ter tido também.