5e11abc4 100f 42ee 8eab d342ec172574 Rafael dos Anjos: "Eu já estou esperando uma luta dura, mas acho que estou mais no meu momento" (Foto: Reprodução Instagram)

Rafael dos Anjos estava de férias com a família na Europa um mês depois de derrotar Neil Magny, no UFC 215, em Edmonton no Canadá. No início da semana, quando voltou para a Califórnia, nos EUA, onde mora, recebeu uma ligação do Ultimate para voltar ao octógono no dia 16 de dezembro, contra o primeiro colocado no ranking dos meio-médios, Robbie Lawler.

Aos 35 anos, o americano tem um cartel de 28 vitórias, 11 derrotas e uma luta sem resultado, e vem de vitória sobre Donald Cerrone em julho. Já Rafael, tem 32 anos e um recorde de 27 triunfos e nove reveses na carreira. Ex-campeão dos leves, ele vem de duas vitórias seguidas na divisão dos meio-médios, na qual estreou em junho.

- O Lawler é um cara casca-grossa, vem pra dentro, é um veterano, um cara duríssimo…acho que tem tudo para ser a luta do ano. Eu estou bem motivado e, cara, vai ser uma guerra! Já estou esperando uma luta dura, mas acho que estou mais no meu momento, estou mais fresco, mais na fome e na vontade. É não entrar naquele jogo dele de rodar braço ali, não ir pra uma briga com ele, pra trocação franca. Acho que esse não vai ser o caminho, porque pode ser bom pra mim, ou pode ser bom pra ele, é uma loteria. Então, eu vou lutar de forma inteligente, colocar meus golpes e ter a paciência ali pra chegar e terminar a luta na hora que precisar - declara ao Combate.com.

A oportunidade de enfrentar o ex-campeão da categoria foi um banho de água fria na expectativa de Dos Anjos de ser o próximo desafiante ao título. O lutador, no entanto, comemorou a oportunidade de poder se manter ativo na categoria, especialmente por conta da lesão de Tyron Woodley, que deve ficar afastado do octógono até o meio do ano que vem. Justamente por isso, Rafa sugeriu ao Ultimate que o combate contra Lawler fosse pelo cinturão interino da categoria.

- Eu estava com a esperança de lutar pelo cinturão, mas o Tyron Woodley está machucado. Então, perguntei para o matchmaker (responsável pelo casamento das lutas) qual a data mais ou menos que ele estaria de volta, e no melhor dos cenários seria abril ou maio. Acho que, provavelmente, ele só vai voltar a lutar no meio do ano, ou seja, vai ser um ano sem disputa de cinturão nessa categoria. E aí me ofereceram o número um do ranking e eu achei que seria uma ótima oportunidade, pelo campeão estar lesionado, e fiz essa sugestão. São dois ex-campeões, o primeiro e o quinto colocados do ranking, e o campeão vai ficar um ano sem lutar, machucado. Achei que seria uma ótima oportunidade de colocar um cinturão em jogo. Foi isso que eu sugeri, mas eu acho que pelo visto não vai ser - explica.

Segundo o brasileiro, o Ultimate não se manifestou sobre a sugestão. Woodley lutou em julho contra Demian Maia, e acabou se lesionando no combate.

- Na minha cabeça tem que ser. Oficialmente não é, mas acredito que pode mudar. Somos dois ex-campeões lutando, e todos os outros competidores no Top 5 ou perderam pro Tyron Woodley ou perderam pro último desafiante, no caso o Jorge Masvidal, que perdeu pro Demian Maia na última luta dele. E todos os outros já perderam pro Tyron Woodley, menos eu. Então, com certeza, eu acho que essa é uma luta, na minha cabeça, de cinturão interino - completa.

O ex-campeão dos leves também explicou o que o levou a aceitar fazer o terceiro combate em seis meses.

- Não imaginava que iria voltar tão cedo. Depois de Edmonton, eu imaginava que iria voltar só no início do ano que vem. Só que apareceu essa oportunidade de lutar agora em dezembro, e a minha vida é essa. Eu chego em casa e olho pra um lado, pro outro, sem fazer nada e você pensa: “Pô, está rolando a oportunidade de lutar em dezembro, não tenho um machucado, uma lesão, nada, então por quê não?”. São nove semanas ainda, a partir de sábado, tempo perfeito. Eu não ganhei muito peso lá na Europa, e nessa categoria de 77 kg é muito mais fácil pra mim, e eu consigo pegar lutas mais rápido. Oito, nove semanas, é o tempo perfeito pra me preparar para lutar contra o Robbie Lawler. É a luta principal, e já é ótimo. Na segunda-feira quando eu cheguei, o Parillo, meu treinador de boxe, já me ligou para ajudar o Michael Bisping, e eu já fiz três rounds com o campeão, então não estou de bobeira, não. Eu quero me manter ativo e buscar o título - ponderou.