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Uma das maiores jogadoras do futebol feminino do Brasil, Sissi esteve esta semana no The Best, em Londres, onde a Fifa premiou os melhores da temporada. Uma das integrantes do time de lendas, o Fifa Legends, ao lado de nomes como Fabio Cannavaro, Fernando Hierro, Ronaldinho, Mia Hamm, Puyol e Eto'o, ela também compareceu a uma importante reunião com o presidente da entidade, Gianni Infantino. Assuntos diversos foram tratados, e a modalidade não ficou fora da pauta. Depois, em conversa reservada com o dirigente, a ex-jogadora contou sobre a reunião ocorrida com o presidente da CBF, Marco Polo del Nero, na última semana. A ex-meia-atacante da seleção afirmou ainda que mais novidades virão.

- Fiquei bastante honrada de ter recebido o convite. Afinal, muita gente não sabe qual o meu papel. E isso ainda que me deixa chateada, pois sou uma das Legends (time de lendas da Fifa). Receber esse convite me deixou bem feliz. Foi bom participar da reunião. Um dos assuntos foi o futebol feminino, falei com ele logo depois e disse o que está acontecendo no Brasil. Há outras coisas que estão acontecendo, mas não posso falar. Estou tentando e se Deus quiser vai dar certo. Falei da conversa com o presidente da CBF e outras coisas que não posso comentar, mas foi proveitosa. Valeu a pena – disse Sissi em conversa com o blog Dona do Campinho.

Sissi celebrou o fato do futebol feminino ter tido um espaço durante a reunião ocorrida na prévia à cerimônia de gala que elegeu Cristiano Ronaldo e Lieke Martens como os melhores do mundo. Declarou que também foi novamente reforçada a necessidade de se colocar pessoas capacitadas e conhecedoras à frente do futebol feminino.

- Nessa reunião tinha algumas meninas. Quando ocorreu a pauta futebol feminno comentamos a respeito de colocar pessoas capacitadas à frente da modalidade. Há outros projetos que eu vou mandar para ele. Foi uma das coisas que falei em privado com ele. Ter essa oportunidade de estar no meio dos legends em que ele coloca em pauta o futebol feminino. Ele está abrindo espaço para o futebol feminino.

Na semana anterior, Sissi havia participado por videoconferência de uma reunião com o presidente da CBF assim como outras ex-jogadoras. Ela fez questão de esclarecer que o objetivo nessa mobilização não é tomar partido de A ou B, mas sim levantar a bandeira do futebol feminino e assegurar melhorias. Ela celebrou o espaço aberto com a Confedereção Brasileira de Futebol e espera que o assunto não fique apenas em um encontro.

- Primeiro, era uma coisa que eu ainda pensei se eu devia estar ou não. Tem coisas que a gente tem que esclarecer. Tem gente achando que queremos brigar. Não. A gente quer ver melhoras. Não estou segurando bandeira de A ou B. A bandeira é a do futebol feminino. E não é brigar com A, B ou C. Os últimos acontecimentos (reunião na sede da CBF) deram uma empurrada e energia extra de algo que vai ser benefício para o futebol feminino em geral. Foi proveitoso e espero que não fique só nessa primeira reunião. Acho que o presidente dar espaço foi um primeiro passo e que não fique só no papel. O fato de ter dado uma abertura foi importante.

Questionada sobre o investimento feito atualmente pela Fifa, Sissi acredita que já houve uma evolução muito grande, mas é necessário ainda pedir maiores alterações. Ela revelou que irá enviar uma carta à entidade na Suíça com mais projetos que poderão ser desenvolvidos. O desejo é por ver o talento brasileiro no topo.

- Para o que era antes em relação ao que a gente conseguiu em pouco tempo não podemos reclamar. Mas há coisas que a gente também vai pedir da melhor maneira possível. É algo que estou colocando em prática. Assim que cheguei de Londres e conversando com Tafarel há coisas que vou colocar em prática. Uma carta que vou mandar. Vai ser bom. Bom para o futebol feminino. Não quero cargo na CBF. Não pretendo brigar com A, B ou C. Queremos ver melhorias. O Brasil tem talento e o objetivo é ver o país no topo. Isso que a gente quer. Essa é nossa briga. Não tenho motivo particular. Tem gente que acha isso. Mesmo morando aqui (nos Estados Unidos) a gente sabe o que está acontecendo. É uma briga de todas. A gente vai precisar de todas. Eu não quero brigar com ninguém. É brigar por coisas boas.

Vivendo nos Estados Unidos há alguns anos e trabalhando como professora de futebol no Walnut Creek Soccer Club, na Califórnia – agora também como treinadora nas categorias de base -, ela comenta como a realidade é diferente por lá. Apesar da distância financeira entre os dois países, acredita que é possível aplicar algumas lições aqui como dar um fortalecimento do futebol feminino nas escolas – esse é um dos objetivos depois da reunião da última semana com a utlização do CBF Social. Para afirmar ainda mais o projeto, Sissi diz que pretender viajar ao Brasil no final do ano.

- A realidade é diferente aqui. Vou falar o clube que trabalho. Temos duas mil meninas registradas. Tem o lado de recreação e o lado competitivo. Nesse ano, eu, além de treinar um grupo, também virei técnica das meninas das categorias de base. É diferente. Aqui há programas e elas têm exposição. Pode ser feito no Brasil? Com certeza. Mas precisamos do apoio dos clubes, federações e não somente da CBF. O futebol feminino deve estar nas escolas como aqui. Acho que se conseguirmos colocar o futebol feminino para ser praticado nas escolas é um passo grande, criar academias. Claro que se fala da situação financeira e da questão de que não pode comparar Estados Unidos com Brasil. Mas construir uma categoria de base dá para se fazer no Brasil. Querendo ou não a Fifa já destinou um dinheiro. É difícil quando a gente tenta comparar talentos. Mas o Brasil tem capacidade de investir nesses talentos. É algo da reunião que falamos com o presidente (da CBF). Pretendo ir ao Brasil no final do ano para ajudar. Quando Emily era a técnica também conversamos. Quem sabe trazer alguém do Brasil para fazer estágio aqui e aprender a estrutura.