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O exercício contribui significativamente para o bem-estar materno e fetal durante a gravidez. Tradicionalmente, as mulheres foram aconselhadas a abster-se de exercitar-se durante a gravidez, porém evidências mais recentes demonstraram que isso é falso. Teoricamente, sempre existiu uma preocupação com o trabalho prematuro e os riscos a mulheres que realizam um programa de exercícios físicos durante a gravidez. Um estudo recente, que incluiu mais de 2000 mulheres, mostrou que o exercício aeróbio e o exercício de intensidade moderada onde foram realizadas 3-4 dias por semana ao longo da gravidez não foram associados a um risco aumentado de partos prematuros ou bebês com baixo peso ao nascer. Apesar das recomendações dos médicos para começar ou manter um programa de exercícios durante a gravidez, apenas cerca de 40% dos pacientes exercitam.

 

SEDENTARISMO E GRAVIDEZ

Uma paciente grávida pode ser facilmente motivada para melhorar sua saúde, bem como a saúde de seu feto, mas essas recomendações precisam ser práticas, com acompanhamento persistente pelo médico. O exercício físico pode ajudar com alguns desconfortos comuns e até mesmo preparar o corpo para o trabalho de parto. Um estilo de vida sedentário durante a gravidez está associado a um importante risco para a saúde que ameaça a vida do feto e da mãe. Um estilo de vida sedentário pode levar à obesidade ou, pelo menos, contribuir significativamente para a obesidade persistente. A obesidade é de proporções epidêmicas e a obesidade durante a gravidez traz riscos para complicações maiores. Grávidas obesas também são mais propensos a sofrer abortos espontâneos. Além disso, eles apresentam maior risco de defeitos no tubo neural, que incluem fenda palatina, espinha bífida e hidrocefalia. A obesidade também coloca a paciente grávida em risco de diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, apnéia do sono, macrosomia, parto prematuro e mesmo parto fetal. Quanto maior o IMC das mulheres, maior o risco de morte fetal. O exercício físico é seguro nessas mulheres e deve ser encorajado. Mesmo o paciente anteriormente sedentário é encorajado a iniciar um programa de exercícios no início da gravidez. Também é considerado seguro em algumas casos de gravidez de alto risco, como aqueles com hipertensão crônica e diabetes gestacional. 

 

RISCOS E CONTRAINDICAÇÕES

As mulheres devem exercitar-se em um ambiente confortável, manter hidratação adequada, evitar a exposição a condições de umidade e calor, prevenir jejum ou hipoglicemia. O exercício deve ser interrompido caso surja algum sinal ou sintomas de alerta (sangramento vaginal, contrações regulares ou dolorosas, vazamento de líquido amniótico, dispnéia, tonturas, dor de cabeça, dor no peito, fraqueza muscular que afeta o equilíbrio, dor ou inchaço). Exercício aeróbico extenuante superior a 90% da FCmax deve ser evitado, uma vez que esse nível de atividade pode potencialmente aumentar o risco de hipertermia ou desidratação além de aumentar o fluxo sanguíneo para os músculos podendo comprometer assim o bem-estar fetal. Corrida de longas distâncias e exercícios isométricos intensos também devem ser evitados. 

Procure um profissional de educação física que saiba como conduzir e prescrever um programa adequado de exercícios físicos durante a sua gravidez. 

Um forte abraço!

 

Referências:

Perales, M, Artal, R, Lucia A. Exercise During Pregnancy, JAMA, março 2017

Berghella V, Saccone G. Exercise in pregnancy! American journal of obstetrics and gynecology, abril 2017