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Considerado um dos grandes jogadores da história do basquete, o armador croata Drazen Petrovic morreu tragicamente no auge da carreira, aos 28 anos, em um acidente de carro na Alemanha. Tocar em um assunto tão sensível é um tabu para muitos, mas não para seu irmão cinco anos mais velho, Aleksandar Petrovic, técnico que fez nesta terça-feira, no Rio, sua primeira convocação oficial pela seleção brasileira. O treinador de 58 anos contou qual é a característica de seu irmão — ex-jogador do Real Madrid e do New Jersey Nets e que faz parte do Hall da Fama dos Basquete — que gostaria de ver em seus atletas.

— Ele era um jogador com uma ética profissional enorme. Ninguém era mais crítico ao seu jogo do que ele mesmo. Terminada a partida, ele ia para casa e, no dia seguinte, estava em quadra cedo tentando melhorar o que não havia feito bem. Entre uma temporada e outra, ele tentava melhorar cada detalhe do seu jogo, um pouco que fosse — contou com orgulho o técnico, em espanhol fluente. — Quando começou, não era um bom arremessador. Foi assim que se tornou um dos melhores arremessadores. Sua defesa não era considerada boa nos Estados Unidos. Ele trabalhou e se tornou em um defensor bom para os padrões da NBA. Ele era muito autocrítico.

Técnico da seleção croata na Olimpíada do Rio, ele disse à época que seus jogadores não tremeram diante de 16 mil brasileiros na vitórias sobre os donos da casa por 80 a 76 — o time terminou os Jogos em quinto.

Filho da tradicional escola iugoslava de basquete, Petrovic nasceu em uma ambiente de exigência elevada no esporte e rivalidades acirradas, em especial com os sérvios após a dissolução da Iugoslávia.

Crítica ao esquema tático

Mas não é o espírito aguerrido que Aco, como é chamado, parece querer implementar na seleção. Quando é perguntado sobre assuntos como o apego dos jogadores à seleção, o treinador desvia a resposta para a parte tática, tanto da seleção principal, como das inferiores, prioridade em seu trabalho:

— Não penso que entendo os problemas que tinha o basquete por não conseguir resultado nos Jogos Olímpicos, mas há tempo nesses próximos dois anos para fazer o trabalho certo: conseguir a classificação sem muito problema e, depois, olhar para jovens que, em quatro anos, podem estar na seleção.

Na análise do treinador, os jogadores mais experientes da seleção, com passagem pela NBA, terão que fazer parte desse processo. Análise mais forte é a que fez sobre o estilo de jogo do Brasil. Para ele, a seleção de Rúben Magnano na Rio-2016 teve como ponto fraco os dois pivôs com pouca mobilidade. Perguntado se o esquema é ultrapassado, a resposta é franca: “sim”.

— Não se joga mais dessa maneira. Você precisa de um ala-pivô que seja mais direto, que tenha mais movimentação. É assim que se joga hoje em dia. Na NBA, tem times que jogam com quatro jogadores baixos — avaliou.

Busca por um ala-pivô

Dentro de sua procura por um ala-pivô com mobilidade, Petrovic rasgou elogios a um jovem de 22 anos e 2,07m do Paulistano, que viu jogar nas finais do campeonato estadual. Lucas Dias é o jogador brasileiro que Petrovic acredita se encaixar no perfil. Na última temporada, ele teve média de 11,6 pontos e 4,5 rebotes por partida. Lucas foi um dos 14 convocados para as duas primeiras rodadas da eliminatórias para o Mundial da China de 2019. O Brasil estreia contra a seleção chilena, em 24 de novembro, em Santiago. Três dias depois, recebe a Venezuela, na Arena Carioca 1, no Rio.

Um dos jogadores chamados foi Marcelinho Huertas, do Baskonia, da Espanha, que não tem presença confirmada porque seu time disputa a Euroliga. O principal torneio de clubes da Europa não terá interrupção durante as datas da Federação Internacional de Basquete. O mesmo acontece com os cinco jogadores da NBA, que nem sequer foram convocados — mas que Petrovic espera contar no período de férias da liga americana. Mesmo sem clube, o pivô Anderson Varejão, de 35 anos, foi chamado. Também sem time, Leandrinho não está na lista por não estar bem fisicamente, segundo o treinador.

Os convocados: os armadores Fúlvio (Vasco), Ricardo Fischer (Bilbao) e Yago (Paulistano) e Marcelinho Huertas (Baskonia), os alas Alex Garcia (Bauru), Vitor Benite (Murcia), Marquinhos (Flamengo), Jhonatan Luiz (Paulistano) e Leo Meindel (Franca), os alas-pivôs Rafal Hettsheimeir (Bauru) e Lucas Dias (Paulistano) e os pivôs Augusto Lima (Besiktas), Anderson Varejão (sem clube) e Lucas Mariano (Vasco).