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O acidente do voo 2933, da Lamia, que viajava com a delegação da Chapecoense e jornalistas brasileiros, sentido Medellín (COL), completa um ano no próximo dia 29. A viagem levaria a equipe para o jogo mais importante da história da Chapecoense. Daqueles que viajaram, somente seis sobreviveram, sendo apenas três jogadores. Do elenco que compunha a Chape em 2016, um goleiro teve sua viagem cancelada por decisão técnica. Ele sobreviveu, mas se aposentou sem completar os tão sonhados 300 jogos. 

Ex-goleiro da Chape e alguém que, por pouco, não esteve naquele avião, Nivaldo falou ao LANCE! sobre os momentos difíceis e relembrou a desistência do então técnico Caio Júnior, que mudou de ideia quanto a ida do goleiro para Medellín. 

Com o objetivo de completar 300 jogos pela Chapecoense na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2016, Nivaldo viajaria com a delegação para São Paulo, onde enfrentariam o Palmeiras, antes de viajar para Medellín. De última hora, Caio Júnior, à época técnico da equipe, mudou de ideia e deixou Nivaldo em Chapecó:

― Eu estava convocado para a viagem, no último momento o treinador resolveu não me levar. Eu tinha 298 jogos pelo clube, na verdade eu tenho e ia viajar porque eu iria entrar no jogo contra o Palmeiras para fazer o jogo 299. Jogar o último jogo contra o Atlético-MG, em casa, que fecharia os 300 e encerrar a carreira. Por um momento ele [Caio Júnior] achou que era melhor eu não ir.

A partida de despedida não aconteceu e Nivaldo se aposentou com 298 jogos pela Chapecoense. Uma marca jamais atingida por outro atleta que passou pela equipe. No entanto, Nivaldo não pensa em atingir os 300 jogos almejados em 2016. Nem mesmo um jogo de despedida.

― Não, não penso (em fazer jogo de despedida). Neste momento não. Até pelo fator emocional. Voltar a treinar só para fazer um jogo pra dizer que eu fiz 300 jogos... Eu acho que não cabe mais ― desabafou, Nivaldo ― Eu sabia que aquela direção queria muito que eu fizesse esse jogo porque é uma marca muito grande que nenhum atleta fez nesse clube. Passei praticamente 11 anos no clube, vi o clube subir de acesso em acesso. Sei que eles queriam muito. Mas eu não tenho emocional para voltar a treinar. Vou estar lembrando dos que se foram, dos goleiros que treinavam comigo, é muito difícil. Acho que se eu não completei os 300 jogos não era para eu completar.

O fator emocional pesa muito após um acidente tão trágico. Nivaldo contou sobre as dificuldades vividas naquele momento, mas falou também sobre a necessidade que a vida tinha de continuar:

― É um momento dificílimo. Logo após o acidente, passando duas, três semanas tivemos que nos reunir de novo para formar uma nova equipe. Ficamos praticamente sem ninguém (...) A gente tinha que olhar adiante, a gente não queria que a Chapecoense acabasse. ― contou o ex-goleiro ― Então fizemos uma reunião e cada um olhou no olho do outro e disse: "Vamos seguir. Vamos fazer o que o pessoal vinha fazendo. Vamos tocar esse barco de uma maneira ou de outra e fazer com que nosso torcedor não deixe de acreditar nesse clube" ― relatou.

Para Nivaldo, a superação vai além do trabalho realizado pela equipe da Chapecoense. As pessoas que se sensibilizaram com a tragédia também são responsáveis por ajudar a Chape e os sobrevivente a se reerguer:

― Foi um momento muito difícil né. Está sendo um momento difícil e todos nós conseguimos superar isso graças a todos. Todos da cidade, do Brasil, do mundo, que com força fé e oração fizeram com que a gente conseguisse se reerguer e mais uma vez estamos tocando o clube. É óbvio que não vamos esquecer nunca daqueles que se foram e que deixaram muitas glórias aqui nesse clube e que certamente estão em nossos corações para sempre ― finalizou.