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Dois anos depois de ver o caos legal se instalar no futebol, a Fifa decide romper com a CBF. Mas a iniciativa vai muito além de punir um cartola brasileiro, insignificante na estrutura de poder da entidade. A decisão de afastar Marco Polo Del Nero faz parte de uma estratégia dos advogados em Zurique de demonstrar, de forma desesperada a procuradores americanos e patrocinadores, que a entidade de Gianni Infantino é vítima da corrupção, e não parte de um esquema criminoso.

Em apenas três anos, a Fifa gastou mais de US$ 60 milhões (R$ 197,4 milhões) em honorários de advogados para se defender e viu uma fuga importante de empresas parceiras, temerosas em ver seus nomes relacionados com uma entidade símbolo da corrupção. 

Por dois anos, a Fifa não moveu uma só ofensiva contra Del Nero, mesmo com ele indiciado. 

O presidente Infantino o visitou no Rio, ganhou do cartola uma camisa da seleção com seu nome, inaugurou uma placa, nomeou seus afilhados para comitê da Fifa e até liberou US$ 100 milhões (R$ 329 milhões) como parte do legado da Copa de 2014. 

Questionado pelo jornal O Estado de São Paulo, no início de dezembro, sobre a situação do brasileiro, Infantino ainda pediu que a “tolerância” fosse adotada em relação aos acusados. Mas, nos bastidores da Fifa, uma decisão foi tomada por seus advogados: ninguém seria protegido se evidências de corrupção viessem à tona.

Assim, quando os procuradores norte-americanos inundaram a corte de Nova York com evidências da corrupção de Del Nero, foi a vez da equipe legal da entidade mandar um recado claro a Infantino: manter o brasileiro na “família do futebol” havia se tornado “insustentável”. 

A cúpula da Fifa, então, passou a viver um dilema. De um lado, punir Del Nero significaria um golpe político contra um cartola que havia dado apoio a Infantino nas eleições. Mas mantê-lo no futebol brasileiro, diante das provas apresentadas nos EUA, deixaria escancarado às autoridades o fato de que o combate à corrupção não passava de discurso vazio. Venceu o sentido de sobrevivência da Fifa, mesmo que, para isso, antigos aliados fossem traídos.