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A federação de ginástica dos Estados Unidos enfrenta uma série de denúncias de assédio envolvendo um médico que trabalhou com a equipe feminina até 2016. Dessa vez, McKayla Maroney, campeão olímpica em Londres-2012, revelou que teve seu silêncio comprado pela entidade.

O advogado da ginasta foi a tribunal para afirmar que sua cliente assinou um contrato no valor de US$ 1,25 milhão (aproximadamente R$ 4,1 milhões) para não se pronunciar sobre os assédios de Larry Nassar, médico que se aposentou no ano passado, segundo o 'Wall Street Journal'.

Entretanto, a alegação é de que McKayla teria sido coagida a aceitar a proposta, que foi iniciada pela própria federação, em um momento de instabilidade emocional. 

"Eu quero que as pessoas compreendam que era uma criança e não tinha escolha. Ela não conseguia raciocinar. Eles [Federação de Ginástica dos EUA] estavam dispostos a sacrificar a saúde e o bem-estar de uma das ginastas mais famosas do mundo porque não queriam que o mundo soubesse que eles estavam protegendo um médico pedófilo", disse o advogado.

Em outubro do ano passado, Maroney acusou o médico Nassar de abusá-la sexualmente desde que tinha 13 anos de idade. A atleta completou 22 anos no último dia 9.

Nassar foi denunciado por outras atletas da seleção, como Gabby Douglas e Aly Raisman. Os pronunciamentos foram incentivados pela federação em nota oficial, mas a denúncia sobre o acordo feita por McKayla "desapontou" os dirigentes.

"Embora a federação americana de ginástica esteja desapontada com a acusação de hoje, aplaudimos McKayla e outros que falam contra comportamentos abusivos – incluindo os atos desprezíveis de Larry Nassar. Queremos trabalhar juntos para ajudar a encorajar e empoderar atletas a falar contra o abuso".

O médico foi condenado, no início de dezembro, a 60 anos de prisão por três acusações referentes à posse de imagens de abuso sexual envolvendo crianças. No ano que vem, Nassar será julgado pelo abuso às atletas.