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Como já era esperado, o anúncio oficial da contratação de Gustavo Scarpa, feito pelo Palmeiras, caiu como uma bomba no Fluminense. Não por ter piorado a imagem do meia perante os tricolores. Afinal, desde que não se reapresentou para a pré-temporada e ingressou com uma ação na Justiça que o ex-camisa 10 é visto como traidor. A dinamite, neste caso, explodiu no colo do presidente Pedro Abad. Em sua pior crise, a gestão do auditor fiscal sofre com as críticas internas e recebe questionamentos até mesmo de sua base de apoio.

De posse de um mandado de segurança que permitia a transferência para qualquer clube, Scarpa assinou contrato de cinco anos. Como o jogador está livre, o Palmeiras não precisa pagar o Fluminense, formador do atleta e que, até o início do ano, era dono de 40% de seus direitos. Mas, como a situação do apoiador é instável do ponto de vista jurídico, o clube paulista tenta se resguardar. De acordo com a imprensa de São Paulo, estuda oferecer algum tipo de compensação ao tricolor, seja em forma de dinheiro ou de jogadores emprestados.

Ainda que não fique de mãos vazias, o Fluminense não receberá nem perto do que pretendia com eventual venda. Vale lembrar que, em dezembro, recusou oferta do São Paulo de € 3 milhões (R$ 11,5 milhões na cotação da época), além de jogadores à disposição. Por isso, a avaliação em torno de Abad é péssima.

Desta vez, os questionamentos não vêm apenas da oposição. Até membros do Flusócio, grupo de Abad, qualificam sua situação como insustentável. O presidente é o maior alvo, mas toda a cúpula é criticada. A forma como a diretoria encarou os últimos problemas é o motivo. Principalmente o anúncio da lista de dispensas, feito no fim do ano, e que levou alguns a buscarem a rescisão na Justiça — caso de Henrique, que obteve liminar para acertar com o Corinthians.

No caso Scarpa, a avaliação também é que faltou eficiência. Isso porque a possibilidade de o jogador acionar a Justiça chegou a ser cogitada no fim do Brasileiro, no início de dezembro. Mas a direção demorou a agir. Quando, enfim, pagou parte da dívida com o meia, já era tarde. E ainda irritou os demais jogadores.

Nesta segunda, Scarpa quebrou o silêncio. Por meio de sua conta no Instagram, falou em gratidão ao Fluminense e aos profissionais que trabalharam com ele no clube. Mas também rebateu às críticas recebidas por ter deixado o tricolor:

“Sabendo que essa é uma via de mão dupla, corro atrás de cada um desses direitos porque nunca deixei de cumprir com os meus deveres. Pelo contrário, fui além deles para contribuir com o time e meus companheiros. Fui extremamente desrespeitado em várias ocasiões nesses cinco anos de clube e nunca expus ninguém a nada, em consideração à instituição e pessoas de bem que fazem parte dela. O clube é, e sempre será, maior do que qualquer jogador! Mas isso não dá o direito de me tratarem como bem entenderem, nem de ficarem me devendo verbas que foram combinadas, como estão me devendo até hoje”, escreveu Scarpa, num trecho de seu post.

O Fluminense não quis se pronunciar sobre o assunto. O clube trabalha para derrubar o mandado de segurança concedido a Scarpa. O julgamento do caso está marcado para o dia 16 de abril.