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Praticamente cinco anos depois, a trágica história se repete. No dia 15 de julho de 2013, o triatleta Álvaro Vasconcelos foi atropelado enquanto pedalava e morreu em um dos trechos da AL-101 Sul. Na mesma rodovia, dessa vez no dia 25 de fevereiro de 2018, o também triatleta José Ginaldo corria entre o Francês e a Barra de São Miguel e foi atingido por um veículo em alta velocidade e não resistiu aos ferimentos, sendo mais uma vítima da violência no trânsito.

Mas o que que há de comum entre os dois acidentes e suas vítimas? É um risco treinar nas estradas alagoanas ou trata-se de irresponsabilidade ao volante? O CadaMinuto Press conversou com personagens que podem ajudar a explicar a recorrência de acidentes, sejam eles fatais ou não.

José Ginaldo residia no município de Marechal Deodoro, era professor do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) e sempre utilizava a rodovia para realizar seus treinamentos. Ele se preparava para o IronMan Florianópolis no mês de maio, quando foi surpreendido por um veículo de cor preta, com placa OEJ - 3536, de Frei Damião/ SE, que era conduzido em alta velocidade. O condutor do carro foi preso e levado à Central de Flagrantes. Com o impacto, Ginaldo não resistiu aos ferimentos e morreu no local do acidente.

Presidente da Associação Estadual dos Triatletas de Alagoas (Aetri-AL), Olímpio Rafael reforça a necessidade de sinalização nas rodovias. “A rodovia estadual é muito utilizada pelos atletas para fazer treinamento, e que alguns pontos necessitam de uma sinalização de reforço que indique aos motoristas a importância de atenção e redução de velocidade na área”, afirmou Olímpio, que ainda lembrou que os triatletas precisam fazer a própria segurança durante os treinos.

“Como nós utilizamos muito aquela rodovia, geralmente usamos um carro de apoio, mesmo sabendo que não é permitido, para chamar atenção dos motoristas e garantir a nossa segurança”, afirmou.

 

O PROJETO QUE NÃO SAIU DO PAPEL

 

Um dia depois do acidente que vitimou Álvaro Vasconcelos em 2013, o então governador, Teotônio Vilela Filho anunciou que iria iniciar um projeto para construção de uma ciclovia na AL-101 Sul, por conta dos acidentes e para facilitar a vida dos atletas e trabalhadores que utilizam suas bicicletas para transitar na região.

Na oportunidade, a obra esteve próxima de ser iniciada, inclusive, com recursos à serem liberados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Atualmente, o Departamento de Estradas e Rodagem (DER), aponta que existe um estudo, mas ainda sem previsão para implantação de uma ciclovia na região.

O Departamento de Trânsito de Alagoas (Detran-AL), não tem responsabilidade sobre a área. A atual gestão do Detran já vem intensificando nas campanhas educativas a mudança de comportamento dos condutores e principalmente essa questão do respeito ao ciclista e ao espaço de todos que fazem parte do trânsito seja pedestre, motorista, motociclista e ciclista.

Em 2015 o diretor-presidente, Antônio Carlos Gouveia, por meio de uma portaria colocou um boneco estático representando o ciclista nas provas práticas do Detran/AL, justamente para alertar os futuros motoristas sobre o que prevê o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que é a distância regulamentar lateral de um metro e meio, nos momentos de passagem ou ultrapassagem.

 

HISTÓRIA PARA CONTAR

 

Melhor triatleta alagoano nas últimas grandes competições, tendo participado inclusive, por dois anos seguidos do Mundial de IronMan, em Kona no Havaí, Fabiano Paes escapou da morte, após um acidente.

“Em 2008 eu sofri esse acidente, me machuquei em várias partes do corpo e foi um grande problema para mim. Nunca estaremos livres totalmente, mas eu tive que aprender da pior forma, como evitar esse tipo de situação”, contou.

Fabiano ainda explicou que o triathlon em Alagoas tem crescido e que a categoria deve se manter unida para cobrar por ainda mais avanços. “Aconteceu o acidente com o Álvaro e na época, nós não tínhamos organização para treinar. De lá para cá, passamos por vários sustos. Infelizmente, com mais essa tragédia, nós devemos aproveitar que temos federação, associação e cobrar a eles, que consequentemente irão cobrar as autoridades por políticas de segurança”, completou.