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Morreu na noite desta quarta-feira, aos 72 anos, o norte-americano Chuck Blazer, ex-secretário-geral da Concacaf e personagem determinante na investigação do escândalo de corrupção na Fifa, em 2015. A confirmação da morte foi dada ao jornal “The New York Times” pelos advogados do ex-dirigente, Eric Corngold and Mary Mulligan, e depois repercutida por outros veículos dos Estados Unidos. A causa da morte e o local também não foram divulgados ainda. No entanto, era sabido que Blazer lutava contra um câncer no reto e outras enfermidades há dois anos e residia em Nova York.

O norte-americano ficou reconhecido como um dos maiores delatores na investigação do FBI (a Polícia Federal dos Estados Unidos) e por sua excentricidade. Ele é ex-integrante do Comitê Executivo da Fifa e foi um dos dirigentes mais influentes do futebol de seu país. Chuck assinou uma confissão de 40 páginas na qual admitiu ter recebido suborno nas Copas de 1998 e 2010. Apesar do largo currículo de contraventor, os advogados ouvidos pelo “New York Times” ressaltaram o papel do dirigente na evolução do futebol nos Estados Unidos.

– Sua má conduta, pela qual ele aceitou total responsabilidade, não deve apagar o impacto positivo de Chuck no futebol internacional – declararam Eric Corngold and Mary Mulligan, em comunicado.

A confissão de Blazer lhe rendeu imunidade judicial e evitou uma pena que poderia chegar a 75 anos de prisão. Ele era alvo de dez acusações pelo FBI e devolveu US$ 11 milhões em impostos não pagos à Justiça norte-americana. O ex-cartola também foi banido do futebol em 2015, pouco depois da eclosão da crise na Fifa. Ele viveu os últimos anos lutando contra sua doença.

Em seus 30 anos de vida como dirigente no futebol, Blazer ganhou fama de excêntrico. Dentre os episódios e fatos curiosos sobre sua vida, estão a alcunha de “senhor dez por cento”, em referência às propinas que sempre pedia, o apartamento que mantinha na luxuosa “Trump Tower” – onde o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, cumpre prisão domiciliar – apenas para os seus dois gatos, e encontro com várias personalidades, como Nelson Mandela, o Papa João Paulo II, e a Rainha da Inglaterra.