Foto: PB Esportes 3336f9ca 4745 4127 99b0 cf99fad2615b Chicão comandou o primeiro jogo da decisão paraibana

O escândalo de manipulação de resultados envolvendo dirigentes de clubes, membros da comissão de arbitragem e árbitros da Paraíba, por muito pouco não ultrapassou as fronteiras do Estado. Isso porque, envolvidos tentaram subornar o árbitro alagoano Francisco Carlos do Nascimento, o “Chicão”, que comandou o primeiro jogo da decisão do Campeonato Paraibano entre Campinense e Botafogo-PB.

O escândalo já vinha acontecendo há algum tempo e vinha sendo monitorado pelas Polícias Civil e Federal, além do Ministério Público da Paraíba, que conseguiram junto à justiça a autorização para quebrar o sigilo telefônico dos suspeitos.

Estavam no “Olho do Furacão”, o presidente do Campinense, William Simões, o vice-presidente de futebol do Botafogo da Paraíba, Breno Morais e o presidente da Comissão Estadual de Arbitragem da Paraíba (Ceaf-PB), José Renato.

A manipulação de jogos vinha acontecendo com frequência durante estadual, incluindo árbitros locais. Na grande final, os clubes temiam perder o controle e por isso, solicitaram arbitragem de fora. Aproveitaram que havia um intercâmbio de árbitros e assistentes de Alagoas, Paraíba e Sergipe.

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Por isso, Francisco Carlos do Nascimento, o Chicão, foi o selecionado para a partida e um dia antes do jogo, recebeu uma ligação de um dirigente, que foi grampeada. Na oportunidade, o presidente do Campinense, William Simões contou com a ajuda de um massagista para falar com o alagoano e passou a insinuar algum tipo de ajuda ao profissional, que explicou ao MinutoEsportes a situação.

“Sempre que fomos à Paraíba, o massagista (Danilo), que está envolvido nesse esquema, nos atendeu muito bem e cuidava dos árbitros e assistentes. No dia do jogo, ele falou que iria lugar para uma pessoa de federação e pediu que eu falasse que ele estava nos atendendo bem. Não vi problema. Quando a pessoa atendeu, imaginei que fosse alguém da federação, dizendo que o dinheiro do hotel já havia sido transferido, que se precisasse de mais alguma coisa era só avisar. Eu achei estranho, porque normalmente a gente paga com a diária. Mas, em alguns casos cordiais, a federação paga. Então, imaginei que qualquer coisa, a gente seria ressarcido. Eu apenas fui respondendo as afirmações dele e pronto. Comandei o jogo, graças a Deus deu tudo certo, recebemos o cheque da federação e pronto”, afirmou Chicão que comandou a partida, vencida pelo Campinense por 1 a 0.

O árbitro alagoano acredita que as demais gravações e o depoimento do massagista irá provar que não há envolvimento da arbitragem alagoana no esquema.

“Mesmo que esse Danilo faça parte do esquema, acredito que no depoimento dele e qualquer outro, vai deixar claro que não houve nenhum impedimento. Construí uma história bonita na arbitragem e não iria me envolver com esse tipo de coisa”, explicou o profissional que já chegou ao quadro da FIFA.

O MinutoEsportes também ouviu o presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Alagoana de Futebol (CA-FAF), Charles Hebert, que confirmou o apoio da entidade ao profissional.

“Assim que soubemos do problema, chamamos o Francisco Carlos na federação para que ele fizesse alguns esclarecimentos. Recebemos com muita tranquilidade, confiamos no profissional e vamos enviar primeiro para a corregedoria da FAF e posteriormente para a CBF”, afirmou.