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Pouco mais de um mês após a operação que investiga esquemas de corrupção no futebol da Paraíba ser deflagrada, o presidente da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Amadeu Rodrigues, enfim falou. O pronunciamento aconteceu na tarde desta segunda-feira no Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol da Paraíba (TJDF-PB), localizado no prédio da FPF. E, apesar de o Conselho de Ética da CBF ter determinado o afastastamento de Amadeu da entidade, o dirigente garantiu que ainda não foi notificado e que, portanto, permanece exercendo as suas funções normalmente. Durante a entrevista coletiva desta tarde, o que chamou atenção foi a falta de sintonia de Amadeu com a sua assessoria jurídica.

A princípio, Amadeu Rodrigues indicou que concederia uma entrevista coletiva. Porém, segundo os seus próprios advogados, Hilton Souto Maior e Eduardo Araújo, o mandatário da FPF não poderia responder questões devido ao segredo de justiça da Operação Cartola.

Em sua fala, Amadeu, visivelmente abalado, negou qualquer envolvimento com esquema de corrupção e, fazendo um balanço de toda a sua gestão, afirmou que forças externas desejam atrapalhar o desenvolvimento do futebol no estado.

- Fui eleito para representar os interesses de nossos filiados, por isso sou representante de todos os clubes. Mas forças externas teimam em desejar arrancar o futebol paraibano da evolução nitidamente apresentada nos últimos anos, com denúncias infundadas, infrações, invasões, fraudes, falsidades, extorções, dentre outros atos ilícitos dessas personagens obscuras. E, para comprovar tudo isso, nós tivemos todas as contas aprovadas. Tudo está registrado na CBF – disse Amadeu.

Ainda em seu pronunciamento, o mandatário da Federação Paraibana de Futebol disse que, diante do que tem sido exposto na imprensa, o processo deixou de ser sigiloso e jurídico e passou a ser midiático. Com isso, segundo ele, as frases e os documentos terminam sendo alterados do contexto.

Por fim, Amadeu Rodrigues garantiu que não vai renunciar e, como ainda não foi notificado pelo Conselho de Ética da CBF, vai seguir colaborando para o futebol da Paraíba.

Após a leitura da carta, Amadeu Rodrigues acompanhou uma coletiva entre a imprensa e os seus advogados. Mas o que chamou mais atenção foi o momento em que o jornalista Raniery Soares, do jornal Correio da Paraíba, questionou os advogados do presidente da FPF sobre uma ligação do presidente do TJDF-PB, Lionaldo Santos, para Amadeu, perguntando sobre o que fazer com o processo referente ao Treze Futebol Clube, ainda na época da polêmica do regulamento do estadual.

Antes de responder, porém, Eduardo Araújo, Amadeu Rodrigues e Hilton Souto Maior se reuniram e conversaram por um instante, em particular, apresentando uma flagrante falta de sintonia. Na resposta, Eduardo afirmou que já existia um parecer jurídico sobre o assunto e foi exatamente isso que Amadeu informou a Lionaldo na ligação.

Por ora, Amadeu Rodrigues segue como presidente da FPF e aguarda uma posição da CBF. Contudo, antes de encerrar a coletiva, Eduardo Araújo disse que todos da entidade seguem no aguardo e deixou subententido que a intervenção pode não acontecer.

A determinação de afastamento de Amadeu Rodrigues foi feita na última sexta-feira, mas a previsão era de que, nesta segunda-feira, o interventor Flávio Boson Gambogi assumisse a entidade. Porém, ainda não há informações sobre a chegada do mineiro, que é integrante da 5ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva.