Foto: Arquivo Kimura 8481f21b b5dc 4faf 9060 420951320dcd

Ser um atleta profissional exige muitas coisas do praticante, desde o dom para o esporte, passando pela preparação, dedicação e motivação para seguir uma rotina cheia de obstáculos até alcançar os respectivos objetivos.

Mas quando existem todos esses pré-requisitos e a união entre companheiros de treino, tudo parece ficar mais fácil, ou menos difícil, a depender do ponto de vista. A equipe Kimura foi fundada no dia 12 de outubro de 1993 em Natal no Rio Grande do Norte e no ano de 1997, passou a se chamar Kimura Nova União, ganhando adeptos por todo o Brasil.

Vários praticantes de jiu-jitsu, já experiente e outros novatos, migraram de outras equipes ou iniciaram sua trajetória, aceitando a filosofia da Kimura. Em Alagoas o trabalho vem sendo construído e dando resultados.

Recentemente, nove atletas da Kimura participaram do Mundial em São Paulo, organizado pela CBJJE (Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo) e sete medalhas foram conquistadas.

Gustavo Mendes - Vice Campeão - Categoria Pluma

Antônio Rodrigues Malta - Bronze - Categoria Pesado                       

Ediglydson Silva - Vice Campeão - Categoria Pesado                       

FAIXA ROXA:

Diego Terto Martins - Vice Campeão Categoria Pesado e Absoluto (todas as categorias)                       

FAIXA BRANCA:

Carolina de Sá - Bronze - Categoria Leve

Therese Telles - Bronze - Categoria Pesadíssimo

Mas o trabalho vai muito além do resultado no mundial, que é fruto dos treinamentos e competições locais, como o Campeonato Alagoano, organizado pela Federação Alagoana de Jiu-Jitsu Tradicional de Alagoas (Fejetal) e o Circuito Alagoano organizado pela Liga Alagoana de Jiu-Jitsu (LAJ-J) e eventos regionais e nacionais.

Um dos mais antigos da Kimura em Alagoas, o professor Marcelo Lourenço, conhecido como “Jornal”, aponta mudanças no trabalho, mas a mesma dedicação de sempre. “A equipe já vinha numa crescente desde o ano passado, com bons resultados. Mas neste ano houve uma mudança positiva. Atletas lutando todas as competições possíveis, os professores dedicados, dia de semana, final de semana, feriado. Existe uma interação muito grande entre os núcleos da Kimura. Estamos colhendo grandes resultados, tanto no Campeonato Alagoano organizado pela federação, bem como pela Liga Alagoana. Nós que fazemos a Kimura, fazemos um planejamento para organizar e colocar os atletas em competições diferentes, porque não dá para participar de tudo. O trabalho vem dando muito certo”, afirmou.

Foto: Arquivo Kimura

Figurando entre os mais experientes e ao mesmo tempo no grupo de jovens graduados, Antônio Rodrigues, o “Tonho” destaca o trabalho de base e a irmandade entre os atletas.

“A gente vem fazendo um trabalho muito forte de base, fazendo com que os iniciantes aprendam todos os fundamentos sem predileção. Isso faz com que eles aprendam todas as técnicas, seja queda, guarda e passagem sem escolher  o que melhor agrada, trazendo a médio prazo um beneficio imenso para eles, pois estarão confortáveis em qualquer posição que se encontrem. E os resultados estão vindo, com saldo positivo em todas as competições, sejam regionais, nacionais e internacionais. A turma que treina junto é muito unida e o clima no tatame é o melhor possível, um sempre ajudando, incentivando e corrigindo o outro.                  Os mais graduados já assumem a responsabilidade de sempre buscar ajudar os que estão chegando e isso cria uma afinidade muito grande entre todos”, comemorou.

Para quem apenas assiste, é natural que dentro de uma equipe haja divisão entre os mais jovens, faixas brancas e pretas, mais experientes e novatos. De certa forma isso existe, mas não é incorporado pelos membros da Kimura.

Faixa-preta, Nelber Jatobá está há 14 anos na Kimura e afirma que se sente em casa, independente dos companheiros de treino, afirma que se sente em casa. “Faço parte da equipe há 14 anos. Desde o primeiro dia de treino, me sinto acolhido como um filho, pelos meus professores Ronaldo Lessa, Marcelo Jornal, Raul Xavier, que são minhas referências no esporte e que executam com excelência todo o de desenvolvimento pessoal que fazem conosco, como também o que prezamos muito na Kimura, o espírito de equipe e de família”, lembrou.

Os mais experientes batem na tecla do trabalho de base e do vínculo que se cria entre professores, mais experientes e os jovens da equipe. Representante da nova geração, Caio Almeida vem despontando como um dos grandes nomes da “arte suave”.

“Treinar na Kimura é um prazer indescritível. Existe uma recepção, um acolhimento que tenho a plena certeza que não encontramos isso em qualquer lugar. As pessoas são sempre bem recepcionadas e, isso é uma coisa única sabe? O tatame passa a ser uma extensão da nossa vida e fazer parte dessa família é um motivo a mais pra gente querer treinar. Gratidão define bem o sentimento”, falou o jovem, que teve a opinião reforçada por Bruno Katto, praticante da modalidade e que mudou seu estilo de vida através do jiu-jitsu.

“Eu já prático o esporte tem algum tempo, mas nos últimos três anos assumi o Jiu-jitsu como estilo de vida mesmo. Os benefícios e a qualidade de vida, não só física, quanto mental e espiritual não tem igual. Sem falar da família de integramos e fazemos parte”, disse.

Foto: Arquivo Kimura

Outro detalhe que vale ser ressaltado se refere à presença das mulheres. No Brasil, existem grandes referências no jiu-jitsu feminino, como Gabi Garcia, Mackenzie Dern e Kyra Gracie. Na Kimura também tem atletas destaque, desde a experiente Flácia Freitas até a jovem Carolina de Sá.

Flácia recentemente conquistou o título Brasileiro e está prestes a participar do Sulamericano Master. “O jiu-jitsu é minha vida e a Kimura é a minha casa, minha família. Não dá para separar as coisas. Meus projetos do presente e do futuro giram em torno deste esporte que mudou a minha vida”, disse.

Jovem e promissora, Carolina de Sá realizou um sonho ao participar do Mundial de Jiu-Jitsu em São Paulo e já trouxe uma medalha de bronze. “Nossa equipe tem treinado duro e tem um histórico bom em campeonatos. Na primeira etapa do Campeonato Alagoano que aconteceu esse ano, tivemos um resultado bastante satisfatório, com apenas 32 atletas inscritos, tivemos quase 100% de aproveitamento, saindo com 31 medalhas, sendo 21 ouros, 5 pratas e 5 bronzes, ficando na segunda colocação por equipes. Nessa etapa a equipe campeã inscreveu 186 atletas e teve 24 ouros. Feliz demais em fazer parte dessa história”, afirmou.

Seja em nível local, regional, nacional e internacional, preparação e determinação são fundamentais, mas a união de força, pode fazer toda a diferença.