Foto: Google 599636f8 f4b2 413c 9a43 80bea8736aca Treinadores não conseguem se manter nos cargos

Há décadas o torcedor brasileiro convive com as inconstâncias do futebol. Um dos grandes problemas da modalidade no Brasil, é a falta de planejamento, mais precisamente quando se trata da importância dada ao treinador e sua comissão técnica.

 

Diferente da grande maioria dos países onde o futebol é praticado, principalmente do cenário europeu, o Brasil tem a fama de não perdoar resultados negativos, sejam eles em curto, médio ou longo prazo, expondo treinadores e demitindo profissionais constantemente.

 

Este tipo de situação era mais comum em times com menor poderio financeiro, sem a possibilidade de manter uma organização profissional. Mas, há alguns anos atingiu a divisão de elite do futebol nacional, o que tem gerado revolta.

 

O Campeonato Brasileiro da Série A nem chegou na sua metade e quando estava na 13 rodada, nove treinadores já haviam sido trocados em seus respectivos clubes. Pelo menos 16 técnicos do grupo do alto escalão estão no mercado e a indignação foi geral, tendo como porta voz o atual técnico do Fluminense, Abel Braga, que se disse favorável a uma greve da categoria e paralização do campeonato nacional por pelo menos uma rodada e foi apoiado pela. A Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol (FBTF).

 

Em Alagoas a situação não é muito diferente. Os três principais clubes do Estado, ASA, CSA e CRB, já mudaram de treinador na temporada. Em Arapiraca, a dificuldade financeira afetou o ASA, que mesmo chegando nas semifinais do estadual, tendo jogador na seleção do campeonato e o treinador Maurílio Silva como o melhor do estadual, acabou caindo após os primeiros resultados negativos no Brasileiro da Série C.

 

Atualmente no cargo, Marcelo Vilar criticou a cultura negativa no país e torce por mudanças. “Situação que já é recorrente no Brasil. Alguns profissionais vem se manifestando contra esses casos que atormentam os treinadores. Na verdade, os dirigentes confundem muito o resultado com trabalho. Muitas vezes o trabalho é bom, mas o resultado ocasionalmente não está vindo. É uma cultura, infelizmente. Mas esperamos que com esses grandes nomes, profissionais sendo demitidos e um movimento contrário, mudem esse cenário.

Marcelo Vilar, técnico do ASA (Foto: Victor Hugo/Ascom-ASA)

 

Seja no interior ou na capital, a situação é bem parecida. O CSA começou a temporada com Oliveira Canindé, que depois do Campeonato Alagoano,  não resistiu a derrota na decisão para o maior rival e dei lugar a Ney da Matta, que criticou duramente a falta de planejamento no futebol brasileiro.

 

“Na verdade é a cultura do futebol brasileiro, infelizmente. Aí você encontra dirigentes que não tem a tranquilidade para filtrar isso. Isso é ruim para os treinadores e para os clubes, que investem alto nos profissionais da comissão técnica e não dão prazo para executarem um bom trabalho. Não há planejamento no futebol brasileiro. Dirigentes são torcedores, agem mais com o coração do que com a razão. Os treinadores ficam expostos. Treinador ser mandado embora com três jogos. O que você consegue apresentar nesse tempo? As coisas precisam começar de cima. Os profissionais precisam se unir. Os treinadores estão se unindo para evitar esse tipo de coisa. Os dirigentes querem dar resposta para a torcida e acabam prejudicando um trabalho”, comentou.

 

Ney da Matta, técnico do CSA (Foto: Thiago Davino/MinutoEsportes)

 

Apontado como time com melhor estrutura e organização em Alagoas, o CRB também sofre com esse problema. Mesmo campeão estadual, Léo Condé acabou amargando resultados ruins no começo da Série B e acabou demitido. Em seu lugar, veio Dado Cavalcanti, que vem apresentando bons resultados, mas que não se acomoda e sabe que a situação precisa ser revertida.

 

“Há três anos atrás houve uma greve no futebol espanhol, liderada por Barcelona e Real Madri, por conta dos atletas de clubes menores que estavam sem receber. Então, hoje os treinadores estão mais unidos. Faço parte de um grupo que tenho orgulho. Nesse grupo estão meus antecessores aqui no CRB, Léo Condé e Mazola Junior, entre outros. Queremos respeito, igualdade e não estamos pensando só em nós treinadores. Não é olhar apenas para o próprio umbigo, queremos melhorar o futebol brasileiro”, disse.

 

Dado Cavalcanti vive bom momento com o CRB (Foto: Douglas Araújo)

 

Cada treinador com a sua realidade, lutando diariamente para manterem seus respectivos cargos. Marcelo Vilar luta para se manter com o ASA na Série C, Ney da Matta pode entrar para história do CSA, que briga pelo acesso a Série B e o CRB de Dado Cavalcanti, tentará surpreender os favoritos e sonhar com a Série A.