Amiga diz ter visto discussão entre Janken e ex-mulher em estádio

  • 29/03/2009 23:15
  • Brasil/Mundo

Única testemunha que esteve com o casal Janken Evangelista e Ana Cláudia Melo da Silva pouco antes do crime, Evelyn Cunha disse que a amiga estava feliz durante a partida no Estádio do Pacaembu, na Zona oeste de São Paulo. “Feliz por causa do Ronaldo. Estava gritando para todo mundo ouvir: ‘Ah, eu beijei o Ronaldo no meio da rua’”, afirmou.

As últimas imagens da recepcionista Ana Cláudia Mello, do ex-namorado Janken Evangelista e do filho deles de 1 ano e nove meses, são de domingo passado (22), quando voltavam para o apartamento onde ela morava, na Zona Sul da capital paulista, logo após a partida de Santos x Corinthians. A vida da jovem de 18 anos terminou de forma trágica assim que ela entrou em seu apartamento. Ela foi morta com 14 facadas e Janken fugiu com o filho.

Horas antes, o casal e Evelyn estavam no estádio. Janken aparece em uma imagem segurando o filho. Ele tenta se proteger de uma briga na arquibancada.

Mas, segundo Evelyn, a atitude de Janken mudou no final do jogo, quando Ana Cláudia se misturou aos fãs para chegar perto do jogador Ronaldo.

“Ela falou para ele: ‘Eu vou esperar o Ronaldo’. Ele falou: ‘Já vai começar a piranhar?’. Ela falou assim: ‘Se eu vou começar a piranhar, todo mundo que está aqui vai piranhar também’”, contou a amiga.

Evelyn diz que Janken ameaçou a ex-namorada, de quem tinha se separado cinco meses antes. “Ele catou, deu um puxãozinho no cabelo dela e falou: ‘Você quer que comece aqui já?’”, disse a amiga.

 Jantar

Os dois mal se falaram na volta para casa. No apartamento, ela preparou o jantar. “Exatamente onde estava posicionado o prato. Tinha um prato com comida, com copo de suco. Tinha o pratinho que ela tinha dado comida para a criança antes”, apontou João Lourenço, tio de Ana Cláudia.

Segundo a polícia, uma ligação no celular provocou ciúme em Janken. “Eu peguei ela no telefone falando com uma pessoa. Depois que eu fui pegar o celular, era o Fábio Costa. Eu a peguei falando no telefone com o cara que não deu para ela ficar depois do jogo, porque o pai do meu filho estava comigo. O pai do meu filho estava comigo”, afirmou Janken.

Fábio Costa, goleiro do Santos, em uma entrevista coletiva ao lado da esposa, negou envolvimento com a moça. “Eu acho que entrei de gaiato, porque eu nunca tive forma de contato nenhum maior com ela. Foram contatos telefônicos. Ela me ligou, pediu ingressou e eu não vi problema nenhum em ceder os ingressos”, contou o goleiro dos Santos.

“Que eu saiba, ela não namorou o Fábio Costa. Ela o conheceu quando ele estava no Corinthians. Só conheceu”, afirmou Evelyn.

Ligações rastreadas

A polícia vai rastrear as últimas ligações no telefone de Ana Cláudia e investigar o que teria motivado a briga. “Ele alega que, na discussão, ela pegou uma faca e tentou agredi-lo. Ele reagiu e, na sequência da luta corporal, acabou por esfaqueá-la”, afirmou o delegado.

Ana Cláudia engravidou aos 16 anos, seis meses depois de conhecer Janken. Na época, ele jogava na equipe júnior do São Paulo. Para conseguir a vaga, usou a identidade do irmão mais novo. Dizia ter 20 anos. Na verdade, tinha 26. A fraude foi descoberta e a carreira acabou. Grávida, Ana Cláudia continuou morando com a mãe. “Quando o Gabriel nasceu, ele ficou comigo e eu cuidei dele até os onze meses porque ela estudava”, contou Ana Lúcia Mello, mãe de Ana Cláudia.

No ano passado, o casal fez uma tentativa de morar junto na Bahia, na casa dos pais de Janken. Era uma rotina de brigas e desentendimentos. Durante os seis meses que viveram no município de Teixeira de Freitas, Janken registrou dois boletins de ocorrência contra Ana Cláudia, acusando-a de agressões. Ela também procurou a polícia para relatar brigas.

“Ela era agredida pelo esposo. Apanhava na frente da mãe dele. Todos os dias havia briga dentro de casa, discussões e até agressão. Ela chegou com marcas no braço”, disse uma testemunha.

Avaliação psicológica

Ana Cláudia procurou o Conselho Tutelar da Criança para relatar os maus tratos que sofria em casa. Ela e o companheiro foram analisados por um psicólogo. No relatório entregue ao Conselho Tutelar, a doutora Edna Pereira disse que Janken precisava de ajuda, porque era um rapaz inseguro ansioso e que dependia emocionalmente da mãe. Sobre Ana Cláudia, escreveu que ela parecia uma moça forte, mas considerou os dois imaturos.

Amigos de Janken dizem que a intenção da avó paterna era ficar com Gabriel. “A vontade dele era trazer o filho para a Bahia para ficar com a mãe dele, no caso com a avó paterna”, disse um amigo de Janken.

Não suportando mais a vida com Janken na Bahia, Ana Cláudia pediu ajuda da mãe e voltou para São Paulo. Depois de fugir da Bahia por causa das agressões e ameaças, Ana Cláudia e Gabriel vieram morar no apartamento do irmão dela e do tio, na capital paulista.

Durante cinco meses,os dois ocuparam um quarto. Ana dormia na cama de cima e o garoto, na debaixo. Provavelmente, no momento do crime Gabriel estava assistindo à televisão e não percebeu nada, até ser levado embora pelo pai.

O menino de 1 ano e nove meses foi reencontrado na Bahia depois que o pai se entregou para a polícia. Após a tragédia, Gabriel virou o centro de uma disputa entre as duas famílias. Por enquanto, uma ordem judicial determinou que o menino fique com a avó paterna na Bahia. “Os avós não podem sofrer retaliações. Sofrer qualquer tipo de represália por conta de um ato isolado praticado pelo filho”, defendeu advogado da família de Janken.

Em São Paulo, a família da vítima exige a volta de Gabriel. “Essa criança deve vir o mais rápido possível. A avó não impedirá uma guarda compartilhada. A avó paterna poderá visitar a criança quando ela pretender”, disse o advogado da família materna.

“O que eu mais quero é o meu neto de volta. Perdi minha filha, então eu quero meu neto. Por favor, pelo amor de Deus, eu quero o meu neto”, pede Ana Lúcia, mãe de Ana Cláudia.