1304685369limoeiro2 Carlo Ancelotti sai do ônibus do Bayern de Munique na chegada à Alemanha (Foto: EFE/Philipp Guelland)

“Ancelotti deixou os diretores do Bayern sem escolha”. Essa é a manchete de uma notícia publicada no portal da revista alemã “Focus”. A demissão de Carlo Ancelotti do time bávaro não foi tão surpreendente assim. O italiano encerrou sua segunda passagem mais rápida por um clube nesta quinta-feira, após a derrota por 3 a 0 para o PSG pela Liga dos Campeões. Mas os resultados não foram os motivos principais para a decisão do clube. A resistência do treinador em utilizar os veteranos do elenco deixou a situação dele insustentável.

Contra o PSG, Hummels, Robben, Coman, Ribéry e Rafinha ficaram no banco de reservas. E não foi a primeira vez. Contra o Wolfsburg, na última rodada do Campeonato Alemão, Robben e Ribéry foram substituídos. O treinador, antes reconhecido por ter uma boa relação com os jogadores, sofreu com a pressão dos principais nomes do elenco. Em entrevista ao jornal “Funke Sport”, o presidente do Bayern, Uli Hoeness, admitiu que alguns atletas não gostavam de Ancelotti. O comandante não resistiu.

"Futebol pode ser um negócio cruel":

Ancelotti no Chelsea: Campeão Inglês em 2009/10 / Demitido em 2010/11

Ancelotti no Real Madrid: Campeão da Copa do Rei e da Liga dos Campeões em 2013/14 / Demitido em 2014/15

Ancelotti no Bayern de Munique: Campeão Alemão em 2016/17 / Demitido em 2017/18

Por decisões como as tomadas diante do Paris, Carlo Ancelotti, segundo a revista “Focus”, provocou a própria saída do Bayern.

– O irritado Franck Ribéry não disse nada. O fato de Ancelotti ter dado ao inexperiente Niklas Süle a chance sobre a Mats Hummels foi apenas uma das decisões pessoais difíceis de entender, que pode ser descrita como uma provocação contra a liderança do clube – escreve o veículo.

Após a derrota para o PSG, Robben mediu as palavras para não evidenciar o seu descontentamento com as decisões do treinador.

É a primeira vez na história que o Bayern muda de treinador durante a Oktoberfest. Ressaca."

– Não vou dizer nada a respeito, porque cada palavra é demasiada. O mais importante é que agora somos uma equipe, necessitamos paz, e todos que exteriorizam sua insatisfação não ajudam a equipe.

Em toda sua carreira como treinador, só no Reggiana, seu primeiro clube, Ancelotti teve menos partidas. No Bayern, foram 60 jogos no comando, e em seu primeiro trabalho foram 41 jogos.

O jornal “Süddeutsche Zeitung”, um dos principais da Bavária, publicou que o italiano “perdeu o vestiário” do Bayern após as aposentadorias de Lahm e Xabi Alonso, que atuaram somente até o fim da temporada passada.

– No final, a alegada competência de Ancelotti com o elenco se tornou um desastre. Ele, que supostamente tinha todos os vestiários do mundo sob seu controle, perdeu o controle do vestiário bávaro de uma maneira espetacular. Ribéry insultado, Muller reclamando, Hummels irritado, Lewandowski nervoso. Ancelotti não entendeu o jogo pós-Lahm e Alonso e sente falta de qualquer estrutura ou hierarquia – define o diário.

Ex-treinador do Borussia Dortmund, Thomas Tuchel surge como principal candidato substituir Carlo Ancelotti. Tuchel assumiu o Dortmund em 2015, após a saída de Jurgen Klopp, e foi campeão da Copa da Alemanha na temporada passada. O Bayern é o terceiro colocado do Campeonato Alemão, com 13 pontos, três a menos que o Borussia. Na Liga dos Campeões, tem três pontos, em segundo no Grupo B, que tem o PSG como líder, com seis.