Remanescente, corintiano disse conhecer detalhes das quedas de dois dos seus colegas (foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)

A promoção de Fábio Carille não era uma alternativa considerada pelo presidente Roberto de Andrade à época da demissão de Oswaldo de Oliveira. Hoje, contabilizando apenas 51 jogos no currículo, o técnico do Corinthians é campeão paulista e lidera o Campeonato Brasileiro, feitos que já lhe dão propriedade para falar sobre a instabilidade de sua profissão.

Ao escutar que era o único treinador a iniciar a temporada à frente de um grande clube paulista e não perder o emprego, no final da tarde desta sexta-feira, Carille desabafou. Recentemente, o São Paulo trocou o também inexperiente Rogério Ceni por Dorival Júnior, demitido pelo Santos para dar lugar a Levir Culpi. Já o Palmeiras substituiu Eduardo Baptista por Cuca.

“Não acho isso legal. Das três demissões, sei bem o que aconteceu em duas. Foi uma sacanagem! É a nossa cultura, mas, pela maneira como aconteceu, fiquei muito chateado”, disse Carille, sem querer especificar sobre qual dos casos estava inteirado. “Sei de dois. Dois. Seria antiético para caramba falar. Existem coisas de vestiário que vocês não saberão nunca. Podem ter certeza.”

Carille tinha proximidade com Eduardo Baptista. Após o então palmeirense se enervar diante das câmeras, irritado com notícias de que discordava, o técnico do Corinthians chegou a seguir o exemplo do companheiro e o apoiou.

Em uma recente entrevista à Gazeta Esportiva, Carille também abordou o fato de ter se sobressaído aos colegas que estavam no chamado Trio de Ferro. “O Eduardo, até pelos trabalhos que fez no Sport e na Ponte Preta, chegou com um peso maior ao Palmeiras. Mas era um momento difícil para ele assumir. Pegar time campeão é complicado. Já o Rogério contava com o peso de toda a sua história como atleta do São Paulo. Eu tinha menos expressão mesmo. Procurei seguir as minhas convicções, me fechei com o grupo e vi os resultados aparecerem dentro de campo”, afirmou.

Fábio Carille sabe, contudo, que também está sujeito aos riscos de sua profissão. “Estão me olhando de outra forma agora, mas não mudarei as minhas convicções”, discursou o corintiano, para quem jogadores são capazes de forçar a queda de um técnico. “Sim. A nossa função é ser verdadeiro com eles. Não tem conversa furada, mentira”, ensinou o corintiano, na véspera da partida contra a Ponte Preta, em Itaquera.