Após casos de Covid-19 no CSA, infectologista questiona realização de testes para detectar vírus

  • Paulo Chancey Junior
  • 12/08/2020 14:23
  • Notícias

No que se trata de Pandemia do Coronavírus, o futebol deu vários passos atrás, após os casos de infecção de atletas. O CSA ganhou destaque nacional quando 18 atletas testaram positivo, o que foi motivo de críticas da infectologista Sara Dominique, que questionou os jogos de futebol e o protocolo utilizado pelos clubes e a Federação Alagoana de Futebol (FAF).

De acordo com a profissional da saúde, o estágio da Pandemia do Coronavírus no Brasil, não permite condições para a prática do futebol e aponta as razões para os problemas detectados.

“O ideal era não ter jogo algum. O Brasil não está em fase para ter jogos. Principalmente, com equipes de municípios diferentes, quando o quadro de cada cidade é distinto e quando se misturam, você perde totalmente o controle”, afirmou.

Desde a última semana, após a final do Campeonato Alagoano e o começo do Campeonato Brasileiro da Série B, o CSA ganhou destaque nacional e gerou preocupação ao noticiar os testes positivos de 18 atletas.

O retorno do futebol em Alagoas segue para a terceira semana, mas os dois principais clubes já passaram de um mês de atividades. CSA e CRB retomaram as atividades no final do mês de junho e passaram por uma série de testes, sejam eles rápidos, sorologia ou PCR.

Coincidentemente os casos apontados foram registrados antes das atividades e nos últimos dias, quando houve uma intensificação dos testes, exigidos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), para o início do Brasileiro da Série B.

No entanto, houve uma brecha de testes entre as semifinais e final do Campeonato Alagoano, quando registrou a contaminação de 18 atletas do CSA, mais o árbitro da decisão do Estadual.

De acordo com o presidente da FAF, Felipe Feijó, não foram realizados testes para as semifinais e finais, porque não detectaria a presença do vírus. O teste em questão é de sorologia, que não garante a segurança necessária, como afirma a infectologista Sara Dominique.

“Não existe protocolo de teste antes de jogos e mesmo que fosse de sorologia, não adiantaria porque esse exame diz apenas se a pessoa tem imunidade, não diz se a pessoa está doente. Quem aponta isso é a própria pessoa, através de sintomas”, disse e reforçou.

“Além disso, falaram em surto. Não existe surto porque não há doença. Os jogadores estão infectados, mas assintomáticos. É um risco porque podem passar o vírus, mas doença apenas se houver os sintomas já conhecidos, como dor de cabeça. Febre, tosse, coriza, cansaço”, concluiu.

Desde então, iniciou-se um verdadeiro “’Caça as Bruxas” para identificar de onde pode ter surgido a contaminação. Diante da situação, a FAF irá testar os atletas de Murici e ASA, que decidem uma vaga na Copa do Brasil no próximo domingo.

O CSA jogaria hoje contra a Chapecoense fora de casa, mas a partida foi adiada. Agora, com os atletas em quarentena, fica a dúvida referente aos próximos jogos.

O CRB por sua vez, fez dois testes no mesmo período do CSA e nenhum atleta testou positivo e dessa forma, o jogo desta quarta está mantido, diante do Oeste, as 17h00 no Estádio Rei Pelé.

TIPOS DE TESTE

RT-PCR

RT-PCR (do inglês reverse-transcriptase polymerase chain reaction), é considerado o padrão-ouro no diagnóstico da COVID-19, cuja confirmação é obtida através da detecção do RNA do SARS-CoV-2 na amostra analisada, preferencialmente obtida de raspado de nasofaringe.

Sorologia

A sorologia, diferentemente da RT-PCR, verifica a resposta imunológica do corpo em relação ao vírus. Isso é feito a partir da detecção de anticorpos IgA, IgM e IgG em pessoas que foram expostas ao SARS-CoV-2. Nesse caso, o exame é realizado a partir da amostra de sangue do paciente. Para que o teste tenha maior sensibilidade, é recomendado que seja realizado, pelo menos, 10 dias após o início dos sintomas. Isso se deve ao fato de que produção de anticorpos no organismo só ocorre depois de um período mínimo após a exposição ao vírus.

Testes rápidos

Estão disponíveis no mercado dois tipos de testes rápidos: de antígeno (que detectam proteínas do na fase de atividade da infecção) e os de anticorpos (que identificam uma resposta imunológica do corpo em relação ao vírus). A vantagem desses testes seria a obtenção de resultados rápidos para a decisão da conduta.