Miguel Cagnoni foi eleito em junho para comandar a CBDA pelos próximos quatro anos (Foto: Divulgação/CBDA)

Gestão temerária, favorecimento a fornecedor e dano moral são acusações que já estão sobre a nova administração da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), liderada pelo presidente Miguel Cagnoni. Em 30 dias desde que assumiu o cargo, o dirigente promoveu uma demissão em massa sem recursos para arcar com as indenizações trabalhistas, contratou outros 13 funcionários, firmou um contrato com uma agência de turismo sem licitação e não resolveu o impasse com a Federação Internacional de Natação (Fina), que considera ilegítima a atual gestão da entidade. 

Cagnoni, que presidiu a Federação Aquática Paulista por 22 anos, foi eleito em um pleito comandado e organizado por uma intervenção da Justiça Comum, o que provocou o repúdio da Fina. Sob o slogan "Inovação e Transparência", prometeu modernizar a CBDA, mas há indícios de que começou a adotar práticas nocivas à administração, como a demissão de 17 funcionários, dentre eles, duas auxiliares de serviços gerais e um office-boy. 

Além de demitir os profissionais da antiga administração que não ocupavam posições de confiança, o presidente da CBDA chegou, inclusive, a criar um novo cargo na entidade. Para servi-lo, foi contratado um motorista, porque na gestão anterior a ordem era a utilização de táxis. 

- "Não vou mandar ninguém embora, não vai ter caça às bruxas", nos foi dito pelo presidente em sua primeira reunião na CBDA, no mesmo dia que tomou posse. Dias depois começaram as demissões sem justificativas. E nos mandaram procurar nossos direitos na Justiça - contou Grasiela Pereira, que ocupava o cargo de secretária da presidência. 

Para a ex-supervisora de Maratonas Aquáticas Christiane Fanzeres, ocorreu um descaso dos dirigentes. Ela citou, por exemplo, que soube de sua demissão pela imprensa. 

- Viajei no dia 13 de junho a trabalho, uma terça-feira. Na sexta-feira, recebi uma mensagem com o link para uma matéria publicada em um blog que falava que havia sido demitida. Liguei e fui informada que seria desligada, mas que não sabiam como essa informação tinha vazado. E ainda me acusaram de ter sido a responsável pelo vazamento. Nem sabia que seria demitida! Foi algo constrangedor e vou pensar em entrar na Justiça por dano moral- frisou Christiane. 

Como o prazo para o pagamento das indenizações já se esgotou para alguns funcionários, um grupo decidiu entrar com ações na Justiça para o receber o que tem direito. E por ter promovido as demissões em massa sem justa causa, ciente de que não teria como arcar com as indenizações, Cagnoni poderá ser acusado de gestão temerária. 

- Essa questão trabalhista não está de acordo com as melhores práticas de governança. Podendo, inclusive, onerar a entidade desnecessariamente e, por conta disso, configurar uma gestão temerária - explicou o especialista em Direito Administrativo, Regulatório e Compliance, Diogo Santos Oliveira.