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Firmino Safadão, para a torcida brasileira, Bobby Firmino para os fãs ingleses, o atacante da seleção e do Liverpool é a ponte que liga Maceió à cidade portuária do Reino Unido. Desde os 18 anos longe da terra natal, vive o auge da carreira na Europa sem se esquecer de Alagoas e seus sons. É fruto dessa mistura e com ela sonha em ser campeão do mundo daqui a menos de três meses.

Na terceira temporada no clube inglês, Roberto Firmino admite que ainda é 99% forró e sertanejo. Aquele 1% - que é vagabundo na música de Wesley Safadão -, Firmino reserva para os Beatles, cujas músicas cantadas no Anfield Road, estádio do time, embalam seus 48 jogos e 25 gols na temporada 2017/2018.

- Aqui em Liverpool não tem como não ser ligado aos Beatles - disse o atacante, em entrevista por e-mail: - Nossa torcida mesmo costuma cantar as músicas nos jogos. É de arrepiar, lindo demais! Trata-se do maior símbolo da cidade. Falou em Liverpool, falou em Beatles. Apesar de não ser meu estilo preferido, já está no sangue.

Já na pele está o gosto pelas tatuagens: Firmino coleciona desenhos no corpo. Um deles é motivo de risada. Quando acertou com o Hoffeinheim, da Alemanha, ao fim de 2010, decidiu gravar a frase “Família, amor sem fim”, em alemão. Só não contava com a tradução capenga feita pela ferramenta do Google. A tatuagem acabou sem sentido na língua do país europeu.

O tropeço não foi capaz de desanimar o atacante, que ainda escreveu “abençoado” em inglês e “Deus é fiel” em grego no tórax. Ainda há espaço para uma nova tatuagem em russo em caso de título mundial na Rússia?

- (Risos) Boa pergunta, mas não cheguei a pensar nisso - escreve Firmino: - Primeiro, preciso continuar bem no clube para ter meu nome na lista final. Depois, caso se confirme, teremos um árduo caminho pela frente para buscar mais esse tão sonhado título. Quem sabe, se der tudo certo. Realmente, seria uma tatuagem das mais especiais.

Vontade de atuar no Brasil

Garantido na Copa do Mundo da Rússia, Firmino completará em novembro quatro anos de seleção brasileira. Desde que foi convocado pela primeira vez, por Dunga, quebra a desconfiança de parte da torcida a respeito de seu futebol - algo natural quando o jogador passa a ser convocado sem ter história em algum grande clube do país. Essa lacuna poderá ser preenchida no futuro. Firmino revela que tem planos de voltar a atuar no futebol brasileiro, de onde saiu aos 19 anos, com apenas uma temporada entre os profissionais, no Figueirense. Nem que seja para penduras as chuteiras.

- Penso, sim, em um dia voltar a jogar no Brasil, até por ter saído tão cedo. Quem sabe para encerrar a carreira? - sugeriu o atacante, antes de sair pela tangente a respeito de qual clube gostaria de defender: - Sinceramente, nunca pensei nisso. Diferentemente de outros países, o Brasil conta com mais de dez times grandes, de camisas muito pesadas e tradicionais, com torcidas apaixonadas.

'Não tem nada como minha Maceió'

Firmino é mais um caso daqueles tão recorrentes no futebol brasileiro: o garoto que deixa sua casa muito cedo para tentar a sorte e mudar de vida, não apenas a dele, como também a dos parentes. Aos 18 anos, ele foi para o Figueirense, onde começou nos juniores e, no ano seguinte, foi a revelação da Série B do Brasileiro. Depois disso, foi contratado pelo Hoffenhein, da Primeira Divisão da Alemanha.

Foi na época em que jogava pelo clube alemão que conheceu sua mulher, Larissa Pereira, com quem tem duas filhas, Valentina, de 3 anos, e Bella, de 1. Em 2014, pouco depois de ser convocado pela primeira vez para a seleção, ele postou uma foto em suas redes sociais em que acidentalmente mostrava partes íntimas de Larissa, então namorada. Até hoje ele não gosta de falar do episódio.

Depois de quatro temporadas e meia no Hoffenheim, foi para o Liverpool. Mas, no fim das contas, o viajado Firmino gosta mesmo é de casa:

- Não tem nada como a minha Maceió. Fui muito feliz em Florianópolis, onde o Figueirense me acolheu aos 17 anos. Adoro Hoffeinheim, que é basicamente uma vila, um lugar acolhedor, que também me recebeu muito bem. E sou apaixonado por Liverpool. Mas não tem nada como a nossa terra natal.