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Ao fim do empate com o Vasco, a cúpula do futebol do Flamengo deixou o estádio Mané Garrincha com a certeza de que o time não está mais rendendo sob o comando de Maurício Barbieri. A última chance para o jovem treinador tentar tirar um coelho da cartola será a semana cheia, sem jogos, até a partida com o Atlético-MG, domingo. Contudo, a pressão pela demissão chegou a níveis insustentáveis na Gávea.

O vice de futebol Ricardo Lomba é o porta-voz do descontentamento do grupo político que sustenta a atual administração. E vê na manutenção do técnico o risco de jogar fora não apenas as chances de título no ano, como também a candidatura de Lomba. No fim da linha no clube, o presidente Eduardo Bandeira de Mello dá de ombro para o grupo que o apoiou e banca Barbieri.

O mandatário não quer a troca e está do lado dos jogadores e dos profissionais do futebol, que entendem que a queda de produção pode ser revertida com o tempo disponível para treinos e descanso. Fora isso, há o argumento básico da ausência de uma opção disponível no mercado para dois meses de trabalho pela frente.

Mesmo assim, os dirigentes intensificaram conversas para buscar uma saída. Ela pode prever a chegada de um coordenador técnico, outrora descartado para 2019. Mas esse tema ainda não foi retomado. A participação dos vice-presidentes também deve ser decisiva. Sem o mesmo apoio de antes, Bandeira se vê cercado pelos seus pares, que apoiaram desde o início do ano uma intervenção de Lomba no futebol.

Barbieri não deve aceitar cargo de auxiliar

Se Barbieri for mais uma vítima da política do clube, não deve aceitar voltar ao cargo de auxiliar. O que atrapalharia até uma possível transição para o trabalho de um novo treinador. As soluções estão sendo debatidas desde o último sábado e as ponderações contra uma mudança a esta altura parecem mais racionais para muitos dos interlocutores do clube. Até a próxima derrota, pelo menos.

No grupo político que já tomou conta das decisões na base, mas ainda não conseguiu entrar no futebol profissional, a pressão permanecerá nos próximos dias até convencer Bandeira. Ele tem apoio do diretor Carlos Noval, que aposta em Barbieri, mas também não escapou das cobranças. O executivo foi o responsável pelas contratações de Uribe e Vitinho e por renovar o contrato de Rodinei.

Hoje também sem Fred Luz, que era diretor-geral e seu braço direito, Bandeira está definitivamente isolado, e dedicado a campanha para deputado federal. A situação poderia deixá-lo mais vulnerável a mudança de decisão por pressão. Mas no clube a personalidade do presidente é conhecida por uma teimosia que beneficie as decisões dos profissionais do futebol.

A perda de mais apoios até a eleição é uma possibilidade, sobretudo se o presidente resolver mais uma vez decidir tudo por conta própria. Vale lembrar que após eliminação no Estadual para o Botafogo, ele perdeu a queda de braço que acabou com a saída de Carpegiani e Rodrigo Caetano.