Foto: Adriano Machado/Reuters A4d1000a e6d2 4be6 b3a7 7a16f9843ff5 Presidente eleito, Jair Bolsonaro

A eleição presidencial em 2018 foi atípica, polarizada entre Fernando Haddad do PT e Jair Bolsonaro do PSL, que acabou eleito e no dia 1º de janeiro, vai colocar em prática muitas das promessas que dividiram opiniões. Uma delas é reduzir quase que metade dos 29 ministérios existentes na estrutura do governo federal, entre eles o Ministério do Esporte. Com isso, o CadaMinuto Press foi em busca de desportistas e autoridades locais, ligadas ao esporte, para avaliar as possíveis decisões do novo presidente, no que trata do esporte.

Apesar de não ter confirmado oficialmente, o que só poderá fazer a partir do momento que tomar posse, Bolsonaro não coloca o esporte como uma prioridade do governo e assim, pode rebaixar o ministério para uma secretaria subordinada a pasta da educação.

 

A informação já foi comentada inclusive, pelo atual ministro do esporte, Leandro Cruz, em entrevista à “Folha de São Paulo”, quando alegou que o esporte não será prioridade e gradativamente o investimento que já não é dos maiores, irá diminuir.

 

Neste ano o orçamento destinado ao esporte nacional foi de R$ 1,516 bilhão, que representa 4% do orçamento da União. O repasse é menor que 2017, quando foi destinado R$ 1,664 Bi, que 2016 com R$ 1,899 Bi e R$ 3,450 Bi.

 

Foto: Ministério do Esporte

 

 

Dessa forma, se a pasta do esporte deixa de existir, um “efeito dominó deve acontecer por todo país, com o corte de repasse e a extinção de programas como Bolsa Atleta, Segundo Tempo, Brincando com Esporte, Esporte e Lazer da Cidade (Pelc) e Vida Saudável (VS), além do esporte olímpico e paralímpico, futebol feminino, entre outros projetos.

 

AUTORIDADES ALAGOANAS PREOCUPADAS

 

Em Alagoas, desportistas e autoridades já demonstraram preocupação com a possibilidade. Secretária de Estado do Esporte, Lazer e Juventude de Alagoas, Claudia Petuba, avalia a grande expectativa para o novo governo, diante das propostas que foram feitas, mas pondera quanto aos efeitos.

 

Secretária do Esporte, Lazer e Juventude, Claudia Petuba (Foto: Ascom-Selaj)

 

“As expectativas são grandes para o Governo Bolsonaro. Muitas coisas foram ditas ao longo da sua campanha e pré-campanha, mas como sua postura já mudou após o resultado, não temos ao certo como saber o que foi frase eleitoreira para chamar a atenção, do que era uma proposta para o governo de fato. A única certeza é de que seu governo seguirá a lógica privatista, ou seja, reduzir o tamanho da máquina estatal, reduzir os investimentos públicos e estimular a atuação do setor privado. Desta forma, se espera que todas as áreas sociais, incluindo o esporte, passem por um corte de recursos. O esporte necessita do poder público para ser fomentado com recursos e responsabilidades definidas claramente para os Governos Federal, Estaduais e Municipais. Se a União deixar de cumprir com o papel que vem exercendo no último período de manter ações importantes como o Bolsa Atleta e programas sociais, o esporte sofrerá um grande retrocesso, opondo-se à última década em que o esporte recebeu as maiores parcelas de investimento público”, avaliou.

 

Luciano Cabral, presidente da CBDU (Foto: FISU)

Vários setores do esporte devem perder se a extinção do ministério se confirmar. O esporte universitário é um deles. A Confederação Brasileira de Desporto Universitária (CBDU) é presidida pelo alagoano Luciano Cabral, que espera que o passado desportista do presidente eleito ajude na manutenção da pasta.

 

“Considerando os posicionamentos do presidente eleito que destaca a necessidade de reduzir os ministérios, esperamos que o próximo governo possa nomear alguém que tenha  afinidade e conhecimento sobre o esporte, independente de continuarmos com o ministério do esporte, ter uma secretaria nacional ou agência nacional do esporte. Um pleito unânime do segmento é pela manutenção das Lei Agnelo Piva e  Lei de incentivo ao Esporte. Além de considerar o Conselho Nacional do Esporte como órgão de assessoria ao governo federal. O Plano nacional do esporte entregue este ano, também é um instrumento que não se pode desprezar, principalmente porque ele trata de varias questões do legado olímpico e da Copa do Mundo de futebol. O presidente Bolsonaro é formado em Educação Física pelo exército, isso nos faz pensar que ele pode dar uma atenção ao esporte por se tratar de uma pessoa da área”, explicou.

 

Ricardo Souza, presidente da CBHB

No âmbito de Confederações e Federações, a situação não é diferente e a preocupação é a mesma. O alagoano Ricarco Souza é o atual presidente da Confederação Brasileira de Handebol (CBHB) é taxativo ao lembrar que a falta de propostas desde a campanha, pode ser uma mostra da falta de prioridade do governo em 2019.

 

“Não temos ideia ainda. O que sabemos é que no seu programa não falou ou falou muito pouco sobre o esporte. Porém, o presidente eleito disse em entrevista que o esporte é de responsabilidade do governo. Torcemos e desejamos que o novo presidente aprimore o Ministério do Esporte e possa implementar novas políticas esportivas no país”, disse.

 

Todas as decisões serão oficializadas apenas no dia 1º de 2019, mas o mês de dezembro que se aproxima, irá confirmar toda a estrutura ministerial, reduzida, bem como as diretrizes da gestão do governo federal.