Foto: Maivan Fernandes Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

É comum ler, ouvir e presenciar histórias de atletas que precisaram se superar durante as suas carreiras, seja por problemas particulares, doenças ou lesões. Mas e quando você não é um atleta, não tem aqueles “super poderes”? O que fazer? A praticante de atividades físicas, Keel Pinheiro, 27 anos, se apoiou na família, amigos e migrou para o esporte, criando forças para superar a doença do século: o câncer!

 

A jovem mantinha uma rotina comum, de estudos, dia a dia com família, amigos e praticava atividades físicas, como corrida de rua e musculação. Mas essa rotina mudaria a  partir de maio de 2018, quando começou a sentir dores persistentes no corpo e decidiu ir ao médico para investigar.

 

Entre consultas, os primeiros exames, suspeitas e a confirmação, foram meses de angustia e que poderiam prejudicar diretamente no tratamento. “Dia 05 de junho o cirurgião confirmou o tumor, mas só disse que precisaríamos de uma biópsia para poder identificar e eu o questionei pedindo a opinião dele e ele disse: Acredito que seja linfoma e da forma que estou vendo aqui, não dá pra operar. No seu caso só quimioterapia”, afirmou a atleta.

 

A demora no diagnóstico fez com que na primeira reavaliação, o tumor no mediastino (região torácica dividida em duas partes, limitada lateralmente pelos pulmões, à frente pelo esterno, embaixo pelo diafragma e atrás pela coluna vertebral) tivesse aumentado de tamanho.

 

Além disso, a biópsia apontou para um problema ainda maior. “Dia 03 de julho fiz a biópsia do mediastino e o tumor já tinha crescido consideravelmente. O resultado da biópsia foi linfoma inoperável e maligno, comprometendo a veia inominada”, explicou.

 

Foto: Maivan Fernandez

 

Para uma jovem, receber tal notícia seria devastadora, mas a jovem surpreendeu. “Minha reação ao ter a confirmação do câncer foi "tranquila". Obvio que ninguém quer escutar: Você tem câncer. Mas devido a várias pesquisas que eu tinha feito antes, eu já estava certa do problema. Só fiquei muito preocupada antes da confirmação, mas não com o fato de estar com câncer, mas porque tinha algo dentro de mim, crescendo que eu não sabia o que era e isso era desesperador. A partir do momento que consegui fazer a tomografia eu fiquei bem tranquila. Eu já esperava esse resultado. Aceitei muito bem tudo, diferente da minha família e alguns amigos que caíram a minha volta, sabe aquele efeito dominó? Que derrubam a primeira peça e o resto sai caindo?! Pois bem. Eu era a primeira peça, mas eu não caí, mas todos que estavam "atrás" caíram e isso me deu mais motivo pra ficar de pé. Alguém tinha que passar forças, olhar e dizer: Ei, eu vou ficar bem! E foi o que fiz, coloquei um sorriso no rosto, coração e mente em Deus e disse: Deus vai me curar! E tentei passar toda confiança e segurança a minha família e amigos que estavam desesperados”, comentou Keel.

 

A partir daí, sem a possibilidade de cirurgia, Keel teria de se preparar e acostumar com a quimioterapia. Foram dois meses de sessões, 4 ciclos quinzenais e mais 15 dias consecutivos de radioterapia. Cheia de vontade de viver, a jovem seguia a sua rotina e conheceu através dos estudos, o triathlon e mesmo com todas as limitações que seu corpo poderia impor, decidiu conhecer a modalidade que nada, pedala e corre.

 

“Os treinos me deram bem mais forças. Óbvio que às vezes eu tinha que dar uma pausa de mais de uma semana devido as reações da quimioterapia. Minha imunidade ficava absurdamente baixa, mas sempre usava máscara nos treinos de bike e corrida”, explicou.

 

A SUPERAÇÃO

 

Um dos “anjos” da jovem nessa trajetória, foi o também triatleta Luiz Horácio, organizadores do “Circuito Ôxe de Triatlo”, que lembra bem quando conheceu a então futura triatleta.

 

“A Keel me procurou antes da primeira etapa. Eu já conhecia da corrida Night Run, que eu fotografei, mas nem nos falamos, só vi aquela menina correndo com máscara cirúrgica e quando ela me ligou pra falar do triatlo, eu já sabia de quem se tratava. Ela me relatou que era o sonho dela participar de uma prova de triatlo, então a partir desse momento passou também a ser nosso sonho em proporcionar isso”, disse o empresário, que ainda destacou o exemplo que ela se tornará para todos que praticam o esporte.

 

Keel e Luiz Horácio (Foto: Maivan Fernandez)

 

“Acredito que essa força que demos foi o combustível para ela fazer essa primeira prova com toda segurança. Ela fez a primeira etapa ainda tratando a doença quimioterapia e a segunda com radioterapia. Deve ter sido muito difícil para ela toda essa debilidade que o tratamento traz e mesmo assim ela saiu vitoriosa”, lembrou.

 

Keel se dividia entre o tratamento e os treinos. Combinação que parece ser improvável, mas quando existe força de vontade e fé, se torna possível. A aprendiz de triatleta descobriu a possibilidade de se manter focada na modalidade, ao se inscrever para a sua primeira prova, o “Circuito Ôxe de Triatlo”.

 

“A preparação foi bem difícil devido as reações da quimioterapia e ter medo de andar de bicicleta. Mas a sensação era a melhor possível. Eu tive a ajuda de vários anjos. Horácio foi o primeiro a me dar forças e a disponibilizar ajuda na hora da prova, Rafael meu Coach da Equipe 3+, deu todo o suporte e preparação para a prova, sem eles e sem a ajuda de todos da Equipe 3+, junto com meu grande amigo e mestre Ícaro, da escola Corpo São, não seria possível alcançar os objetivos na qual eu almejei”, disse.

 

Diante de uma história de superação, não faltam personagens para fazer parte deste caminho. Triatleta com histórico de participações no IronMan, Rafael Padilha da Equipe e Assessoria Esportiva 3+, contou que não pensou duas vezes em fazer parte disso, principalmente por ter vivido um problema semelhante na família.

 

Keel e Rafael Padilha (Foto: Arquivo Pessoal)

“Nos conhecemos quando a minha Equipe, a 3+, apresentou o triathlon na faculdade que ela estudava, Ela admirava o nosso trabalho, nossos atletas e tinha vontade de treinar conosco. Fomos apresentados, tive um irmão que faleceu, passando por uma situação parecida e eu queria fazer algo para ajudar, compartilhar e contribuir para a realização desse sonho, seria um presente para mim também. Consultamos a questão médica. Ela estava liberada, então, a gente deu a assessoria esportiva de presente. Abraçamos ela. Hoje é uma atleta patrocinada, um exemplo para mim, para toda a assessoria e todos que conhecem a história dela. Me sinto muito abençoado da assessoria ter sido escolhida, participar e ter a gratidão dela. Nada paga tudo isso”, disse.

 

Realizado um sonho, vem agora as outras etapas da vida. Keel Pinheiro superou o câncer, seguirá sendo monitorada, mas com a certeza de que tem uma força inimaginável e muitas pessoas ao redor para dar o suporte necessário.

 

“A preparação foi bem difícil devido às reações da quimioterapia e ter medo de andar de bicicleta. Mas a sensação era a melhor possível. Eu tive a ajuda de vários anjos, Horácio foi o primeiro a me dar forças e a disponibilizar ajuda na hora da prova. Rafael meu Coach da Equipe 3+ deu todo o suporte e preparação para a prova. Sem ele e sem a ajuda de todos da Equipe 3+, junto com meu grande amigo e mestre Ícaro, da escola Corpo São, não seria possível alcançar os objetivos na qual eu almejei.Pretendo continuar me aperfeiçoando cada vez mais no triatlo, concluir minha faculdade, levar força e incentivo a várias pessoas mostrar pra elas que se eu consegui elas também conseguem e sempre falar da importância que a prática da atividade física tem na saúde”, concluiu.

 

Foto: Maivan Fernandez