Sergio Moraes / Reuters C9f9900d 7cb9 4407 8458 46b5680be39e

O coordenador de seleções da CBF, Edu Gaspar, garante que não há no mundo seleções fortes dispostas a enfrentar o Brasil em amistosos. Ao Estado, ele mostrou uma planilha mapeando as competições dos continentes e o calendário das equipes. Na lista estavam as agendas de possíveis rivais da Conmebol, Uefa, Concacaf, África, Ásia e Oceania. Com isso, o Brasil enfrentará o Panamá, lanterna da última Copa do Mundo e há quase um ano sem vencer.

A dificuldade de encontrar adversário fortes e à altura do Brasil é antiga. "Tentamos amistosos contra rivais fortes da Europa, por exemplo, mas ninguém quer jogar contra o Brasil, mesmo aqueles que estão com datas livres", diz Gaspar. A justificativa diz respeito a possíveis derrotas.

"As seleções da Europa têm compromissos em torneios regionais e eliminatórias para a Eurocopa. Quando estão livres, não querem encarar o Brasil porque sabem da possibilidade de derrota e, assim, podem perder moral para jogos oficiais." Edu revela que a Alemanha aceitou jogar e depois mudou de ideia. Sobram os times mais fracos, menos tradicionais.

Brasil x Panamá

Com treinador recém-contratado e com elenco reduzido e inexperiente, o Panamá, que vai enfrentar a Seleção Brasileira, neste sábado (23), em amistoso em Portugal, está longe de ser um teste à altura das dificuldades a serem enfrentadas pela equipe de Tite na Copa América.

A equipe do país da América Central ocupa a 76.ª posição no ranking da Fifa, colocação pior do que a de todas as seleções que estarão na disputa da Copa América. O Panamá fechou o Mundial da Rússia com maior goleada sofrida na competição (6 a 1 diante da Inglaterra) e com a pior campanha entre os 32 participantes.

A última vitória panamenha foi em abril do ano passado, em amistoso contra Trinidad e Tobago. Desde então a equipe acumula 11 partidas sem vencer e levou a federação a mudar de planos há cerca de um mês. A decisão foi trocar o comando e escolher o interino Julio Dely Valdés, ex-atacante, ídolo do futebol local e que pela terceira vez assume o posto.

"Sabemos da dificuldade que é jogar contra o Brasil. Além do resultado, devemos nos sentir bem. Vamos jogar com respeito, mas sem medo. Vamos buscar mostrar nosso potencial", disse o técnico, conhecido no país pelo apelido de Panagol.

O treinador chamou para o amistoso com o Brasil uma lista reduzida de jogadores. Em vez de 23 nomes, como fez Tite, o panamenho vai contar apenas com 18 atletas. Dez deles estiveram na Copa da Rússia e nenhum atua em grandes ligas. O único que joga em um país mais renomado, a Espanha, defende um clube da quarta divisão.

A comissão técnica também é pequena e tem apenas 14 profissionais - a Seleção Brasileira conta com mais de 20 membros. O treinador tem como assistente técnico o seu irmão gêmeo, Jorge Dely Valdéz, também ex-jogador.

O contrato do novo técnico vai apenas até a realização dos Jogos Pan-Americanos, em Lima, em julho e agosto. Em junho o Panamá vai disputar a principal competição do ano, a Copa Ouro, e até lá quer se preparar em amistosos contra rivais mais fortes do que os adversários diretos das américas Central e do Norte.

Enquanto o Brasil terá outro compromisso, na terça-feira, contra a República Checa, os panamenhos se reuniram apenas para o amistoso de sábado. "Vamos competir em busca de fazer o nosso jogo. Sabemos do potencial do Brasil", disse o goleiro Luis Mejía, que joga no Nacional, do Uruguai.

Os panamenhos estão hospedados no Porto em um hotel distante do centro. A equipe realizou os treinos em estádios de times amadores e na sede do time B do Porto. "Nós temos evoluído. Temos que se seguir acreditando nos jogadores panamenhos e por isso estamos aqui. É questão de lapidar os jogadores. Eles têm cada vez mais talento", comentou o técnico.

Brasil e Panamá têm em comum um algoz. A Bélgica derrotou a ambos na Copa. Antes de eliminar a equipe de Tite, nas quartas, a equipe belga estreou na Rússia com a vitória por 3 a 0 sobre os panamenhos.