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“Estou profundamente ferido na alma neste momento, não posso mentir." Esse foi o primeiro pronunciamento de Kevin Durant após sofrer uma lesão no tendão de Aquiles no jogo 5 das finais da NBA entre Golden State Warriors e Toronto Raptors. E essa ‘ferida’ tem tudo para aumentar, já que os próximos meses do ala devem ser amargos. A estimativa é que ele fique até um ano longe das quadras.

Em conversa com o Portal da Band, o ortopedista Leandro Gregorut, que já foi médico da seleção brasileira de handebol, explicou um pouco sobre a lesão e como deve ser o tratamento do astro da franquia da Califórnia, que volta a entrar nesta quinta-feira, 13, a partir das 22h, com transmissão da Band.

Historicamente, a lesão do tendão de Aquiles é considerada uma das mais complicadas para jogadores de basquete. “O tendão é muito importante. Ele é o que movimenta o pé, faz a flexão plantar, que possibilita o movimento para saltar e a mudança de movimento. No basquete, tem muita mudança de movimento, você sempre está indo de um lado para o outro, fazendo movimentos explosivos e rápidos”, explicou Gregorut.

Para exemplificar a complexidade deste tipo de lesão, o médico citou um estudo realizado pela Revista American Journal of Sports Medicine em 2017. Ao todo, 62 atletas da NBA, NFL e MLB que sofreram com esse tipo de problema foram analisados. Em 30% dos casos, os esportistas não conseguiram retomar as atividades e acabaram se aposentando. Os outros 70% voltaram abaixo no primeiro ano, treinando e jogando menos, além de ter menos tempo em ação. O maior percentual de diminuição de performance foi notado na NBA.

“Quando você tem a lesão no tendão de Aquiles, ela tem toda uma história, ele não simplesmente rompe. A primeira coisa é uma inflamação, que é o que chamamos de tendinopatia aguda, causa dor, desconforto, mas nada que impeça de treinar e jogar. Com os meses, virei tendinopatia crônica, é uma alteração das células do tendão quando não tem mais o poder de regeneração, cria uma fibrose. Quando é crônica continua exercendo o esporte em alto rendimento, mas como a região está fragilizada, ela se rompe. Rompe cerca de 2 a 3 cm acima de inserção do osso calcâneo”, explicou Gregorut.

Por esse histórico, o ortopedista acredita que a lesão sofrida por Kevin Durant no dia 8 de maio nos playoffs contra o Houston Rockets e o problema sentido contra o Toronto na última segunda-feira estão interligados. “Quando ele [Durant] se machucou no dia 8 de maio, ele coloca a mão na panturrilha, que é uma transição quando o músculo está se transformando em tendão, aquela é uma região clássica de distensão muscular, que chamamos de lesão muscular. Quando você tem a distensão muscular, a recuperação é de duas a seis semanas, tudo depende do tamanho da lesão. O tempo foi compatível com uma recuperação de lesão muscular. No entanto, pode ter ocorrido uma lesão parcial do tendão de Aquiles. Normalmente, a gente libera para começar a fazer exercício em 1 mês e meio e voltar a atuar 3 meses”, argumentou.

Oficialmente, os Warrios afirmam que o primeiro problema de Durant foi um estiramento muscular na panturrilha. Porém, o diagnóstico não convenceu o mundo do basquete. Magic Paula, por exemplo, respondeu um comentário em seu perfil no Twitter em que apostava em uma lesão no tendão. “Na minha opinião, ele rompeu tendão de Aquiles! Na cena da contusão, quando arremessou e colocou os pés no chão e saiu correndo mancando, ele olha para trás, como se estivesse procurando algo. Esta lesão é como se estivesse levado uma pedrada. A tal síndrome da pedrada!”, escreveu.

O Dr. Leandro Gregorut, que acredita que não houve rompimento total na primeira lesão, explicou o que seria a famosa “síndrome da pedrada”. “Você dá aquele arranque e rompe de uma vez, a impressão que você tem é como se alguém tivesse te jogado uma pedra ou te dado um chute. Você sente isso, você consegue andar, mas não consegue mais fazer o movimento da passada, não consegue ficar na ponte do pé”, disse.

De acordo com o ortopedista, o astro dos Warriors deve ser submetido a uma cirurgia, que é o método mais eficiente. “O tratamento cirúrgico tem um melhor resultado”, declarou. Durant deve ser liberado para começar a treinar apenas após três meses do procedimento, mas só estará completamente apto após, no mínimo, seis meses. O profissional diz que o prazo médio é de um ano de recuperação.

“O grande problema é que como tendão é grande a cicatrização é demorada, e também é uma região pouco vascularizada, isso faz com que tenha maior medo de infecção, demora mais tirar o processo inflamatório. Além disso, como você fica com a perna parada, você perde a massa muscular na batata da perna, fica fraco, você precisa esperar cicatrizar, ganhar os movimentos do pé e só depois fortalecer a musculatura”, enumerou.

Com isso, a lesão deve mudar o futuro de Durant na NBA. O ala tem mais um ano de contrato opcional com os Warriors. A ideia dele era romper o vínculo com a franquia californiana e partir para novos desafios, mas as incertezas sobre as suas condições físicas devem forçar com que ele continue na temporada 2019-20 com um salário de R$ 122,4 milhões.