Thiago Davino - Minuto Esportes Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true CSA

Bastaram 9 jogos para o CSA entender de fato o que é o Campeonato Brasileiro da Série A. Aos poucos o time alagoano está acordando do sonho do acesso, conquistado numa trajetória vitoriosa nos últimos quatro anos, saindo da Série D, para a elite do futebol nacional.

Até o momento, nas nove primeiras rodadas da Série A, o time azulino tem apenas uma vitória, três empates, cinco derrotas, 3 gols marcados, 15 sofridos e um aproveitamento de 22,2%, muito pouco para uma equipe que quer se manter na primeira divisão nacional.

A competição está apenas no começo, mas com a pausa por conta da realização na Copa América, todos os clubes irão se beneficiar, uma vez que terão tempo de recompor elencos, fazer contratações, trabalhar os erros e recuperar jogadores até a segunda quinzena do mês de julho.

O DESAFIO

Um dos grandes desafios do CSA nesta Série A é conseguir bater de frente com adversários com rendas superiores. O presidente executivo do time, Rafael Tenório, lembrou que o CSA vai arrecadar R$ 26 milhões com a cota de transmissão, enquanto equipes como Flamengo, Corinthians e Palmeiras recebem mais de R$ 100 milhões.

“A Série A é uma competição muito grande. Da mesma forma que temos cotas, novos patrocinadores, temos muitos custos. Só de arbitragem por exemplo, por jogo, gastamos R$ 45 a 50 mil, entre os árbitros de campo e os árbitros do VAR. Isso é apenas um exemplo. Dentro do nosso planejamento, pé no chão e ousadia ao mesmo tempo, não vamos fazer loucuras. Tenham certeza que estamos buscando, teremos reforços nessa parada, mas não vamos fazer besteira”, afirmou.

Rafael Tenório (Foto: Thiago Davino)

 

Usando o velho ditado, “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”, o clube marujo não consegue competir com os rivais e por isso, irá brigar para não ser rebaixado e se resolver competir financeiramente, pode fazer loucuras e terminas como outras equipes, endividadas e que não apenas foram rebaixados, mas que não conseguiram se reerguer, comprometendo todo um trabalho.

Até para contratar, com salários em dia, estrutura em plena evolução, o CSA tem encontrado dificuldades. Atletas que disputam a Série A e a Série B preferem se manter onde estão, uma vez que a imagem criada é de um time que irá para não cair durante toda a competição e que a probabilidade de aparecer é mínima.

O esforço da diretoria não pode ser ignorado, uma vez que propostas tem sido feitas constantemente.

“A gente não para. Estamos praticamente 24 horas, mapeando, fazendo contatos, mas os atletas de alto nível são caros, fogem do nosso alcance e nós precisamos buscar soluções para isso. Estamos buscando um segundo volante, um camisa 10, dois extremos e um camisa 9. São 5 contratações que precisamos fazer”, afirmou o executivo de futebol do CSA, Fabiano Melo.

Fabiano junto com Raimundo Tavares e Rafael Tenório (Foto: Ascom-CSA)

 

E os primeiros nomes já foram confirmados. A diretoria azulina acabou com o mistério e anunciou o retorno do volante Jean Kléber, que deixou o Marítimo de Portugal e vai tentar mostrar as boas atuações de 2016. Além dele, três atacantes foram contratados: Julian Benitez que vem do Olimpia, Rodolfo Gamarra do Guaraní, ambos do Paraguai, além de Keirrisson, que passou por clubes como Coritiba, Palmeiras, Barcelona, Santos, Cruzeiro e recentemente atuou pelo Londrina.

AS CONSEQUÊNCIAS

A parada para a Copa América será providencial para o clube alagoano, não apenas por conta da atual situação na Série A, a 19ª posição, mas diante do balanço que foi feito do ano como um todo. Apesar do Bicampeonato Alagoano vencendo o maior rival, o CSA não conseguiu animar a sua torcida.

No Estadual, derrota para o Dimensão Saúde e apresentações abaixo do esperado. Na Copa do Brasil, eliminação na primeira fase para o Misto do Mato Grosso, deixando de arrecadar na competição nacional e para piorar a situação deste primeiro semestre, a eliminação na Copa do Nordeste, perdendo para o Botafogo da Paraíba por 3 a 1.

Técnico Marcelo Cabo em entrevista após jogo na Série A (Foto: Paulo Chancey Junior)

 

A campanha irregular fez com que voltasse a crescer a pressão em cima diretoria, principalmente sobre o técnico Marcelo Cabo. Antes mesmo do início da Série A, a boa relação e identificação com o torcedor fez com que a diretoria garantisse a permanência do treinador até o final da competição.

Mas o próprio presidente já deixou claro que a falta de resultados pode mudar tudo, desde os jogadores até a comissão técnica. Os atletas azulinos terão folga até o dia 20, quando retornam e iniciam a preparação para os próximos compromissos. Amistosos com o Sport em Recife e Maceió e retorno da Série A, no dia 14 de julho na Arena em São Paulo.

Até lá, muita coisa pode acontecer. Atletas do atual elenco azulino serão negociados e emprestados para times das Séries B e C, novas peças terão de chegar e até o comando pode mudar.

Até a próxima segunda-feira, a direção irá se reunir e avaliar a situação de todo o grupo, para dar um rumo diferente ao CSA, que não quer acordar do sonho de se manter na elite alagoana.