A falta de parceria dos órgãos públicos dificulta o trabalho de reconhecimento das pessoas desaparecidas

  • 21/04/2009 01:33
  • Maceió

Prestes a completar dois anos da existência do Banco de Dados de DNA de Pessoas Desaparecidas ferramenta operacionalizada pelo Laboratório de DNA Forense da Universidade Federal de Alagoas, apenas cinco pessoas que nunca mais voltaram para suas casas foram cadastradas. O serviço pode auxiliar órgãos que trabalham com segurança pública, Direitos Humanos, Conselhos Tutelares, Ministério Público e o próprio Governo do Estado. De acordo com o chefe do Laboratório, o professor Dr. Luiz Antônio Ferreira da Silva, a desculpa de que não se tem dinheiro para investir não passa de uma conversa, pois o serviço é gratuito e não gera nenhum custo, apenas o do exercício da cidadania.

No ano passado, dados da Ordem dos Advogados do Brasil, em Alagoas (OAB/AL) indicaram que foram encontradas mais de 160 desovas e aproximadamente 100 delas não tiveram seus corpos reconhecidos. “Não queremos dinheiro de ninguém. Queremos apenas o trabalho”, afirma o professor.

O professor garante que neste processo a parceria com o Instituto Médico Legal Estácio de Lima (IML) também seria fundamental para o trabalho, pois após recolher uma amostra para extração do DNA de corpos em decomposição e ossadas para serem identificados, e com o material colhido adequadamente da família (pode ser a saliva) que procura pela vítima, o perfil genético seria encontrado imediatamente.

Com o cadastramento no Bando de Dados do laboratório, mesmo que a pessoa fique desaparecida por 50 anos, ela pode ser identificada se for submetida ao exame. O papel das instituições citadas seria de fazer este trabalho e poupar a família de constrangimentos e aflições futuras.  
 
O Banco de Dados de DNA de Pessoas Desaparecidas é um projeto sem fins lucrativos, que tem como objetivo minorar o sofrimento das famílias que tem um parente desaparecido e que necessitam de apoio nesta busca. A ferramenta reúne informações genéticas sobre crianças, adolescentes e adultos desaparecidos que podem ainda estar vivos e de pessoas que foram mortas e não puderam ser identificadas pelos métodos tradicionais, vítimas dos mais variados tipos de violência.

Com a inserção de dados nos cadastros de pessoas desaparecidas que ficariam disponíveis para o órgão interessado, as informações são fundamentais na elucidação de crimes, como também no auxílio nos processos de investigação. De acordo com o professor, de forma geral, os desaparecimentos não são prioridades pelo aparato policial, já que a maioria das vítimas é pobre.


O Laboratório

O Laboratório de DNA Forense também possui um trabalho paralelo ao de reconhecer corpos desaparecidos e do trabalho de reconhecimento de paternidade. Um serviço parecido com o Banco de Dados foi feito para o Exército Brasileiro, em que já foram cadstrados mais de seis mil soldados que vão em missão de paz ao Haiti.