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Foram poucos, mas os atleticanos que foram ao Maracanã, na noite de quarta-feira, e acompanharam a classificação do Athletico à semifinal da Copa do Brasil nas penalidades, diante do Flamengo, passaram por momentos de tensão. Infiltrados no meio dos quase 70 mil flamenguistas presentes no ‘maior do mundo‘, os rubro-negros, sem ter um espaço reservado no estádio, foram disfarçados, ficaram espalhados e mal puderam comemorar a vaga do Furacão na próxima etapa da competição nacional.

Em segurança mesmo e com a liberdade de comemorar a classificação maiúscula do Athletico somente os torcedores que foram com a delegação no voo fretado de Curitiba para o Rio de Janeiro. Esse grupo ficou em um camarote. Outros grupos de torcedores ficaram espalhados pelo Maracanã, mas vivendo outra realidade.

Nenhum torcedor do Athletico foi ao jogo caracterizado. Tiveram, então, que torcer calados. “Estávamos em quatro torcedores e depois encontramos mais dois. Fomos sem a camisa do Athletico. Ficamos em um canto, próximos a esse camarote onde estavam esses torcedores que foram junto com o time. Estávamos apreensivos, contidos, para que ninguém percebesse que éramos atleticanos”, contou o torcedor Fernando Azevedo, que chegou alguns dias antes no Rio de Janeiro e tentou, sem sucesso, garantir um espaço à torcida rubro-negra no Maracanã.

Mesmo contidos, os torcedores do Athletico levantaram suspeita de flamenguistas que estavam próximos. Um deles, inclusive, desconfiado, perguntou para Fernando a escalação do Flamengo e sobre particularidades da equipe da Gávea. Os momentos de maior apreensão, segundo Fernando, foram no gol de empate do Furacão e na disputa dos pênaltis. O torcedor tentou recorrer à delegacia do torcedor, mas a mesma fica fora do Maracanã.

“Na hora do nosso gol foi difícil se conter. O grito ficou entalado. Nas penalidades, pedi ao segurança e ele chamou dois policiais para ficar próximos a nós. Mas logo que acabou, eles foram embora. Tentamos ficar ali o máximo de tempo possível, mas os seguranças nos tiraram. Um deles nos tratou mal e falou que não deveríamos estar ali”, comentou.

Mas não foi apenas Fernando e seus cinco amigos que passaram por situações complicadas no Maracanã. Débora do Rocio Cruz foi junto com seu filho, Vinicius da Cruz Silveira, de 15 anos, acompanhar de perto a classificação do Athletico para a semifinal da Copa do Brasil. Menos comedida, a torcedora teve dificuldades para se conter no meio dos flamenguistas e por pouco uma briga não aconteceu.

“É difícil você segurar, mesmo que você disfarce, é complicado. Em cada lance de perigo eu acabava abraçando meu filho, apertando ele. A torcida do Flamengo é bem louca mesmo. No gol deles tivemos que vibrar. Um torcedor do Flamengo abraçou ele e depois, quando estava acabando o jogo, veio falar que sabia que éramos atleticanos. Tivemos que sair dali e terminamos de ver a partida e as penalidades na televisão na praça de alimentação do estádio”, contou Débora.

A torcedora disse ainda que seu filho deixou o Maracanã um pouco traumatizado pela situação. “A torcida do Athletico é fanática, mas os flamenguistas são demais. Tem que cuidar mesmo. Meu filho ficou meio traumatizado, mas eu disse que isso logo passa”, emendou.

Em outro setor do Maracanã, o torcedor Célio Motomura precisou ficar circulando, trocando de lugar, para não passar nenhum apuro durante a partida. “Os lances dos gols foram mais complicados. Não pude comemorar no gol do Athletico e tive que vibrar no gol do Flamengo. Eles ficavam me olhando porque estava sem a camisa do Flamengo e não cantava as músicas. Fiquei circulando para não dar problema”, lembrou.

As experiências vividas por esses atleticanos, apesar da classificação, não foram as melhores. Se isso se repetir na sequência da caminhada do Athletico na Copa do Brasil dificilmente o Furacão contará com qualquer tipo de apoio no duelo contra o Grêmio, em Porto Alegre, pela semifinal da competição nacional. A diretoria atleticana deve adotar mais uma vez a torcida única diante do tricolor gaúcho e dificilmente o torcedor rubro-negro terá espaço no estádio adversário na partida no Rio Grande do Sul.

“Foi difícil. É difícil vir em um jogo desse jeito. Era para termos a presença de dois mil atleticanos. Espero que nesse jogo contra o Grêmio essa medida de torcida única caia logo. Isso não pode continuar. Queremos invadir o Rio Grande do Sul e buscarmos essa tão sonhada taça todos juntos”, concluiu Fernando Azevedo.