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Um sorriso largo e a camisa do Botafogo. A selfie borrada é o único registro do torcedor Sergio Fernando Pacheco antes de ser brutalmente agredido dentro do Nilton Santos, após o clássico entre o Alvinegro e o Flamengo, na noite de quinta-feira, pelo Campeonato Brasileiro. O taxista, de 38 anos, foi sozinho ao jogo e enviou a imagem para o celular da mulher, Ana Paula, às 19h51min, nove minutos antes de a bola rolar no campo.

Mesmo acostumado a ir ao estádio com o marido e o filho de 12 anos, ela resolveu assistir a partida em casa com uma amiga. Ainda recebeu do marido mais uma mensagem de áudio, às 20h09, antes de se preocupar por não ter nenhum contato com ele após o jogo.

Ana Paula enviou mensagem às 22h56min para perguntar se Sergio "estava vivo". O torcedor já havia sido espancado por alvinegros como ele, que acharam que se tratava de um flamenguista infiltrado, teve o celular roubado, um cordão, documentos e a própria camisa do Botafogo. Um copo do jogo foi comprado de lembrança para o filho, que coleciona os objetos. Até isso sumiu no meio do caos.

– Eu estava com uma amiga. Ele me enviou essa foto borrada mesmo para dizer que estava chegando no estádio. Depois que acabou, eu mandei mensagem perguntando: "está vivo". Ele não respondeu e a minha preocupação chegou ali. Só soube do que aconteceu quando um amigo ligou. Só depois me avisaram que tinham os vídeos nas redes sociais – afirma a mulher.

Sergio nunca fez parte de torcida organizada. Sua foto no WhatsApp é com uma camisa do Botafogo, assim como a maioria das suas postagens nas redes sociais. Apaixonado pelo time, tinha uma tatuagem, mas desenhou outra por cima porque ficou ruim.

– Ele nunca foi de torcida organizada. Saiu para trabalhar e parou cedo de rodar para ir ao jogo. Foi sozinho, não estava com ninguém. Não foi para se meter em briga – conta a mulher.

Com tudo o que aconteceu, Ana Paula não quer mais ir aos jogos do Botafogo. Muito menos vai levar o filho para ficar perto dessa violência. O menino de 12 anos quase foi com o pai ao estádio para ver o clássico, mas foi barrado pela mãe.

– Ainda bem que não deixei meu filho ir com ele. Foi uma situação muito triste. Sempre fomos ao estádio de forma sadia, boa, nunca tivemos problemas. Fiquei com o coração na mão com o que o aconteceu com o meu marido, com a falta de segurança absurda. A gente paga ingresso e é agredido. Meu filho não pisa no estádio e nem eu. O Sergio é maior de idade, faz o que quer na vida dele – disse.