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A possível construção de um autódromo no Rio de Janeiro, em Deodoro, prometida pelo presidente Jair Bolsonaro e políticos locais, ganhou uma forte voz contra: a do hexacampeão mundial de Fórmula 1, Lewis Hamilton.

O melhor piloto da categoria na atualidade e candidato a melhor da história se posicionou contra Deodoro nesta quarta-feira (13), em evento realizado em São Paulo, onde já está presente para a disputa do GP do Brasil do próximo final de semana.

Para Hamilton, são três pontos cruciais para que não se construa uma nova pista - e ele deixa claro: não tem a menor vontade de correr no Rio de Janeiro.

"É a primeira vez que ouvi sobre a corrida no Rio. Eu acho, sinceramente, que tem muito dinheiro envolvido na construção destes circuitos. Já temos um autódromo histórico aqui, não precisa derrubar árvores, destruir mais território", afirmou.

"Eu acho que o dinheiro pode ir para algo melhor, tem coisa que o governo pode investir nas cidades. Tem muito talento e gente aqui. Se fosse meu dinheiro, colocaria em coisa melhor. Educação é muito importante. No meu time, temos vários engenheiros novos, mas poucos do Brasil, deveríamos ter mais", seguiu Hamilton.

Além do respeito a Interlagos, pista na qual já venceu duas vezes - e onde conquistou o seu primeiro título mundial, em 2008 -, Hamilton mostrou que considera absurda a ideia de derrubar uma área de proteção ambiental para a criação de um autódromo.

"Isso significa que vão derrubar árvores? Não aprovo isso. Temos um país muito bonito aqui, uma floresta importante para o nosso futuro. Temos que focar mais no meio ambiente. Amo o Rio, gostaria de passar mais tempo lá, mas não quero correr em um circuito que prejudicou o meio ambiente, uma terra tão bonita para o nosso futuro."

"Precisamos pensar no futuro da nossa geração, que fica pior a cada ano. As mudanças climáticas estão piores a cada ano. Existem muitas áreas que precisamos atacar, esta é uma delas. Me disseram que destroem um algo do tamanho de um campo de futebol na floresta a cada dia. Não acho que a F1 contribui para isso [preocupações ambientais]", concluiu Hamilton.

Reportagem da Agência Sportlight no último mês de outubro revelou que, apesar da promessa de Bolsonaro de que a construção seria feita sem dinheiro público, mais de R$ 120 milhões já foram destinados ao projeto diretamente pelo governo federal.

Ainda na entrevista desta concedida com a participação do GRANDE PRÊMIO, Hamilton falou ainda sobre como o respeito do público brasileiro por ele cresceu a partir da batalha por título de 2008; apontou que irá deixar de usar plástico na vida cada vez mais sustentável; garantiu que sente ser um herdeiro de Ayrton Senna no Mundial e, assim, ficará na F1 até o amor acabar; prometeu começar um trabalho voltado a diminuir o déficit de representatividade no esporte a motor; e fez mistério sobre o mercado de pilotos da F1 para 2021.