Estoques do Tamiflu estão espalhados pelo mundo

  • antoniomelo
  • 02/05/2009 09:00
  • Saúde

Em épocas de potenciais surtos epidêmicos, governos de todos os países são aconselhados por autoridades sanitárias mundiais a estocarem remédios e vacinas disponíveis no mercado. Assim foi com a gripe aviária e está sendo com a influenza suína. Pelo menos 85 países compraram nos últimos anos 220 milhões de caixas do remédio Tamiflu, um dos antivirais autorizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate ao vírus nas pessoas infectadas.

 

Não são apenas os governos que mantém estoques estratégicos da droga. O próprio fabricante, o laboratório suíço Roche, possui três milhões de tratamentos (quantidade em remédio por pessoa) guardados em suas instalações nos Estados Unidos, França e Suíça. Esse estoque faz parte dos 5 milhões de tratamentos doados para a OMS e que será direcionado conforme orientações da organização.

 

De acordo com Karina Fontão, diretora médica da Roche, algumas empresas e bancos espalhados pelo mundo também mantém estoques particulares. "São empresas em atividades, como energia elétrica, que não podem parar suas atividades. É o que se chama de plano de continuidade das empresas", diz. Mesmo com instalações no Brasil, o antiviral vendido no país vem da Suíça. "O Tamiflu é recebido aqui em pó e é encapsulado e embalado na nossa fábrica de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro", explica Karina.

 

Segundo a diretora, todo o transporte dos estoques é feito por avião. Além dos laboratórios na França e Suíça, outros 19 laboratórios parceiros produzem o princípio ativo do remédio em conjunto com a Roche. "Na prática, essa rede de laboratórios consegue produzir 400 milhões de tratamentos por ano."

 

Após decidir não renovar os estoques das farmácias a pedido do governo federal e disponibilizar os 12.500 tratamentos (caixas por pessoa) para o Ministério da Saúde, a Roche garante que possui quantidade parecida em seus estoques no Brasil antes de pedir qualquer reforço. "De qualquer maneira, acreditamos que o governo brasileiro tem estoque suficiente para contornar situações pandêmicas, que esperamos não seja necessário.