Foto: Douglas Araújo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Secretária do Esporte, Lazer e Juventude, Claudia Petuba

Foi-se o tempo em que as mulheres não tinham espaço no esporte, que apenas atuavam e competiam sem destaque. Nos dias atuais, na gestão, nos bastidores e em qualquer plataforma de treinos ou competições, elas fazem bonito e disputam com os homens o posto de liderança na área esportiva. O MinutoEsportes entrevistou mulheres que são destaques no cenário esportivo em Alagoas.

Muitos praticam esporte por lazer, mas quem quer levar a sério precisa de gestão e planejamento. No cenário esportivo em Alagoas, um nome deixou de ser revelação para se tornar uma realidade.

Em 2015, nomeada como a primeira mulher Secretária do Esporte, Lazer e Juventude do Governo de Alagoas, Claudia Petuba, foi contestada, conviveu com olhares atravessados e a constante desconfiança. O fato de não ser da área do esporte e principalmente por ser uma mulher, pesou em alguns momentos, mas nada como o trabalho para comprovar a competência.

Chegamos em 2020, ela segue no posto relata como vem superando todas as dificuldades do cargo. “O primeiro desafio foi encarar os olhares desconfiados, não me deixar intimidar por eles e usar as dúvidas sobre minha capacidade de gerir a principal praça esportiva do estado e desenvolver o esporte como um todo, como combustível para me dedicar ainda mais, honrar a oportunidade e mostrar bons resultados. Tive a felicidade de encontrar gente de bem que ao longo da minha vida me ajudou a desenvolver dentro de mim uma coragem pra desbravar os desafios que surgem, pessoas que muitas vezes acreditaram em mim antes de mim mesma, como o Governador Renan Filho. Não imaginava que poderia ocupar um cargo tão importante e tão jovem (quando assumiu tinha 26 anos), ele foi o idealizador. A luta das mulheres precisa não apenas da consciência feminina, mas também de homens de coragem que endossam a nossa luta como o Governador”, explicou.

Secretária Claudia Petuba ao lado do Governador Renan Filho e da Rainha Marta (Foto: Douglas Araujo)

 

Durante os cinco anos, caminhando para o sexto de gestão, Petuba precisou superar os desafios e construir um legado. “Tratar o esporte com profissionalismo e seriedade, agregando meus conhecimentos de gestão pública e empreendedorismo. Tudo o que faço gosto de procurar inovar de alguma forma. Predominava o amadorismo no universo esportivo alagoano, gestão profissional era pouco vista, hoje as federações esportivas, entidades diversas e atores sociais deram um grande salto. Lançamos os primeiros editais esportivos, quando antes só se conseguia algo por algum tipo de relação pessoal ou política, hoje não, todos os projetos que queiram contar com o apoio do estado tem seus méritos e capacidade analisados, tanto que chegamos à marca de conceder apoio para mais de 30 modalidades esportivas distintas, de forma regular”, afirmou a secretária que reforçou.

“Outro ponto importante foi que criamos programas sociais e perseveramos para que eles se consolidem. Muita gente já criou e cria muita coisa, mas a grande maioria acaba tendo uma duração muito curta. Procurei estabilizar e dar segurança às nossas ações; logo no primeiro ano de gestão, em 2015, criamos a Copa Rainha Marta que chegou em 2019 na sua quinta edição, o programa Na Base do Esporte que estamos expandindo para atingir 5 mil pessoas em 2020; a Taça das Grotas, Jogos Paralímpicos, apoio para os Campeonatos Alagoanos de diversas modalidades. Nossa intenção é elevar o esporte alagoano para mostrarmos que o esporte pode ajudar a superar nossos entraves socioeconômicos e ser motor do desenvolvimento”, concluiu.

Tudo que se refere a esporte, na grande maioria do tempo teve domínio masculino. A área da comunicação não foi diferente. Em Alagoas uma voz em especial ganhou destaque. Jornalista, radialista, mestre de cerimônias, Charlene Araújo acumula várias funções e executa todas elas com desenvoltura.

A paixão pelo esporte veio de berço e se tornaria uma linda história do esporte alagoano. “A paixão pelo esporte veio através do meu pai, Castanha, que foi massagista do CSA e sempre me levou a jogos de futebol e handebol. Cresci acostumada no ambiente esportivo. Quando eu tinha apenas sete anos participei de um evento no colégio onde eu era a repórter, numa apresentação de grupo. Já queria "ser gente" ali. Mas, a vontade de fazer jornalismo surgiu quando vi o Márcio Canuto fazendo uma matéria no ginásio do Cepa, num torneio de handebol. Acredito que ali eu já sabia que seria repórter na área esportiva”, contou.

Jornalista Charlene Araújo (Foto: Pei Fon)

 

Acostumada com a desconfiança e a cobrança, Charlene lembra que superou os obstáculos com trabalho e hoje disfruta de respeito e reconhecimento por onde passa. “Como toda mulher que mergulha num ambiente "tipicamente masculino", também enfrentei desconfiança e olhares questionadores quando iniciei no jornalismo esportivo. Tinha sempre que provar como e porque estava ali. Quebrei muitos gelos me apresentando como a "filha do Castanha", quando percebia que precisava mostrar alguma ligação com o esporte. Hoje já não uso mais esse artifício. Não que não tenha orgulho de minha origem, mas porque hoje vejo que posso caminhar por mim mesma. Costumo brincar com meu pai que hoje não sou mais "a filha do Castanha" e sim que ele é "o pai da Charlene", porque já não preciso mais justificar de onde surgi. Acredito que ainda tenho muito a aprender e fico feliz ao notar que o cenário está mais favorável à entrada de outras mulheres nas editorias esportivas. Ainda existe o tal machismo? Existe! Mas os tempos mudaram, as mulheres também e hoje conseguimos lidar com muito mais força e inteligência contra essa postura que ainda faz parte de nossa sociedade”, explicou a premiada profissional alagoana.

Fala que o esporte era um meio masculino seria redundante, tendo a vista a predominância dos homens. Hoje o cenário é animador pelo fato das mulheres disputarem em padrão de igualdade, posições de destaque, independente da área de atuação.

Mais um exemplo de superação é da educadora física, árbitra assistente de futebol e atleta de futevôlei nas horas vagas, Fernanda Félix. Ela contou para o MinutoEsportes de onde surgiu a paixão pelo esporte e como tem caminhado diante das dificuldades.

“Sempre fui amante do esporte de forma geral, sempre gostei de praticar. Minha formação acadêmica é também na área do esporte (Educação Física), e quando eu estava no curso, surgiu a oportunidade de iniciar o curso da arbitragem. Sempre gostei de desafios, de sair da zona de conforto, de fazer atividades que as mulheres são desafiadas a não fazer, pelo senso comum de serem atividades masculinas - isso nunca me deu medo, ao contrário, sempre me motivou muito. A partir daí decidi entrar para arbitragem pelo desafio, pelo amor ao futebol e para mostrar para todos que podemos fazer o que quisermos, e quando decidimos isso e lutamos pela igualdade, não há quem possa nos parar. Hoje sou árbitra porque amo e apesar de encarar como profissão (no sentido de responsabilidades e dedicação), na verdade é meu hobby, é onde me sinto em casa”, disse.

Árbitra Assistente Fernanda Félix (Foto: Pei Fon)

 

Fernanda vem alcançando destaque a cada ano, atuando em jogos de nível nacional. Mas quem imagina que ela está satisfeita, se engana. “No sentido profissional da atividade é chegar a FIFA, rodar o mundo fazendo o que amo. Porém todos os dias são passos dados, e faço cada jogo como se fosse o último, com amor e dedicação - o resultado é só uma consequência. E outro ponto importantíssimo é que sei que posso influenciar as pessoas positivamente com minha atividade, e isso já acontece. Então meu sonho e o que deixa muito feliz no dia a dia, é saber que motivo às pessoas a saírem da zona de conforto, a saberem que elas podem fazer o que quiserem. Ser exemplo para as mulheres serem mais empoderadas também é algo que sempre busco”, contou.

Como se não bastasse a formação acadêmica e profissional que já exigem, Fernanda ainda procurou uma modalidade esportiva para mostrar que mulher pode estar onda quiser. “Eu e minha insistência em abusar os meninos que estão perto de mim, tirar da zona de conforto. Afinal quem quer "perder" para uma mulher? Fui para o futevôlei porque queria um esporte que me ajudasse no rendimento na arbitragem (parte física), até aí ok, supriu. Porém, quando cheguei lá, já começaram (por mais que seja brincadeira de amigos), os desafios: Ah, não vai ganhar de mim, eu jogo melhor que você. E como não sei entrar em nada para brincar, fui levando a sério, e ao mesmo tempo que treino pesado para meu condicionamento físico, também treino pesado para chegar nos campeonatos e não fazer feio, jogando de igual para igual com os meninos, não gosto de diferenças. Sou mulher, mas posso fazer igual eles”, concluiu.