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Tiago Nunes soma três vitórias, cinco empates e quatro derrotas à frente do Corinthians. O aproveitamento é de apenas 38% e o time, além de cair logo na segunda fase da Conmebol Libertadores, também está em situação preocupante no Campeonato Paulista, atualmente paralisado devido ao coronavírus, mas que tem o Timão com poucas chances de classificação e ainda com risco real de rebaixamento.

Não bastasse as dificuldades dentro de campo, o treinador também está encarando um ano político dentro do clube. Em novembro, o Corinthians vai definir seu novo presidente. E para Tiago Nunes, o protesto promovido por algumas torcidas organizadas tem relação com esse ambiente.

“Sem dúvida que há um ambiente político. A diretoria tem tentando ao máximo nos blindar e nos deixar à margem disso aí. Mas, por exemplo, quando em tempos normais a torcida do Corinthians bateu em fevereiro no portão do clube? É engraçado isso, né? É estranho. ‘Ah, por que perdeu a Libertadores para o Guaraní-PAR’. Pode ser. É um catalisador isso aí. Mas a gente sabe também que tem muito interesse político”, opinou, em entrevista ao BandSports.

Mais que isso, Tiago Nunes revelou que há técnicos enviando currículos à diretoria do Corinthians, e não escondeu a irritação com a situação.

“Todo mundo que está fora tem a solução para o que está acontecendo dentro, em qualquer instituição funciona dessa maneira. Os treinadores são assim, principalmente alguns que estão mandando currículo, inclusive agora aí, forçando nesse momento, treinadores importantes. Sempre tem a solução para o que está acontecendo no Corinthians”.

Gazeta Esportiva apurou que apesar das críticas, tanto internas quanto externas, a avaliação do trabalho de Tiago Nunes é positiva e não há intenção de troca. A insatisfação, neste momento, é maior com o elenco. A diretoria entende que os jogadores precisam entregar mais.

“Nos meses de novembro e dezembro eu acompanhei tudo, as notícias, muitas vezes os programas esportivos. Se clamava publicamente por uma transformação. Em termos de ideia de jogo, de modelo de gestão e tudo mais. Fui contratado com esse objetivo, e com 13 ou 14 jogos agora não serve mais a transformação? Tudo depende do resultado. Não vou ser influenciado pelo resultado. Não sei quanto tempo vou permanecer no Corinthians e não é isso que me preocupa”, explicou.

Nem mesmo o fato de costumeiramente as informações sobre o dia-a-dia do Corinthians vazarem à imprensa incomoda o treinador.

“Não me preocupo com isso. Faz parte. Vim para o Corinthians sabendo que tudo vaza, todo mundo sabe o que acontece aqui dentro. Como tem muita repercussão naturalmente gera muito polêmica. Tem de ter capacidade de não dar bola para isso, focado em treinar o time, bem com os jogadores”, afirmou.

Tiago Nunes também falou sobre as recentes manifestações de Ralf e Jadson, dois jogadores que marcaram história com a camisa corintiana, mas que foram dispensados apesar dos vínculos contratuais.

“Foi algo decidido em conjunto, em 20 ou 21 de novembro. A direção ficou incumbida de notificar os atletas. Reiterei e reitero meu maior respeito por eles, mas o Ralf, com 35 anos, por mais que seja uma liderança e muito identificado, não é um jogador construtor de jogo. Em termo de mobilidade não apresentava o que a gente desejava, o Jadson também não”, justificou.

“Se os resultados estivessem acontecendo ninguém abordaria isso. Existe muito oportunismo envolvido. São jogadores que fizeram e marcaram história, fica meu respeito aos dois, mas foi decidido com a direção. São jogadores que não teriam neste momento as características para compor a maneira de jogar que eu acredito”, concluiu.