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A prioridade número um no momento é cuidar da saúde da população, mas os prejuízos deixados pela Pandemia do Coronavírus são arrasadores. O MinutoEsportes entrevistou representantes de entidades esportivas, que avaliaram os calendários suspensos, os prejuízos e a falta de perspectiva para um possível retorno.  

Normalmente as entidades esportivas já sofrem em termos financeiros, dependendo de eventos para faturar, além do apoio do setor privado e do poder público, como Governo do Estado e Prefeitura. 

Presidente da Federação Alagoana de Karatê Interestilos (Feaki), Saulo Jorge, lembrou dos eventos que movimentariam a categoria e da falta de recursos para manutenção da modalidade. 

“Nosso calendário foi totalmente paralisado. Tínhamos competições locais, regionais, nacionais e internacionais. Nossos atletas estariam atividades aqui em Alagoas, em Alagoinhas na Bahia, em São Paulo e na Polônia e agora tudo parou.  A questão financeira nos preocupa muito, porque dependemos de eventos, inscrições, apoio privado e público e agora está tudo parado”, disse o dirigente que ainda reforçou a necessidade de apoio aos federados. 

Saulo Jorge, presidente da Feaki (Foto: Arquivo Pessoal)

“Estamos fazendo contatos de forma remota e passado orientações para os nossos treinadores e atletas, de como proceder com seus apoiadores e patrocinadores neste momento. Queríamos muito poder ajudar financeiramente, mas a grande maioria das federações não tem disponibilidade financeira”, explicou. 

 

Calendário: Antes cheio, agora vazio 

 

Uma das modalidades que mais deve sofrer neste período é o triathlon. Com três modalidades (natação, ciclismo e corrida de rua), a categoria tem sofrido com a falta de opções para treinamento conjunto, bem como a possibilidade de cancelamento de um calendário dos mais movimentados da história em Alagoas. 

Em 2020, a expectativa de competições era de movimento do início ao fim do ano, com eventos locais, alem de três competições de nível internacional, como o IronMan 70.3, o Triday Series e o GP Extreme.  

Diante deste cenário, o presidente Federação de Triathlon de Alagoas (Fetrial), Coronel João Marinho, avaliou a situação. “Os prejuízos são imensuráveis. O Triathlon movimenta uma cadeia produtiva muito plural. Turismo, lojas e oficinas de ciclismos, clínicas de fisioterapia, assessorias esportivas, lojas de suplementos, materiais esportivos, lojas de roupas de esporte, farmácia de manipulação, nutricionistas e tantos outros. Eles estão interligados como os raios de uma roda, se um quebra, causa instabilidade em todo o conjunto”, pontuou. 

Coronel João Marinho, presidente da Fetrial (Foto: Maivamn Fernandez)

 

O dirigente ainda ressaltou que a atuação da Fetrial, tem sido de respeitar o decreto governamental e orientar assessorias, treinadores e atletas. “Quanto à atuação da Fetrial, o Conselho de Técnicos definiu a suspensão da abertura das tendas das assessorias para evitar aglomeração. Os treinos continuam sendo repassados aos atletas que de acordo com o possível, têm procurado, mesmo que de forma bem pouco contundente, cumprir a planilha. Ademais, temos que nos adequar e acompanhar a dificuldade dos nossos parceiros em se acatar as determinações das autoridades públicas e de saúde. Dispomos de nossas mídias sociais para a divulgação dos produtos dos nossos parceiros, caso desejem”, afirmou. 

 

Exemplo nos momentos bons e ruins 

 

A Federação Alagoana de Judô (Faju), seguindo o exemplo da Confederação, é uma das entidades mais organizadas do esporte local. Calendário movimentado com competições, treinamentos, cursos, o que movimenta toda uma categoria. 

Presidente da Faju, Antônio Milhazes avaliou o cenário. “Todo um trabalho de organização, que não evitou problemas e preocupações para a sequência da temporada. “Foi destruidor esse Covid-19, que prejudicou sobremaneira todo o nosso calendário. Nós já tínhamos eventos programados e depois dos decretos e também recomendações da Federação Internacional e a Confederação, precisamos seguir esse caminho e agora torcer que tudo isso passe a possamos retomar dias normais”, disse. 

Antônio Milhazes em atividade pela Faju (Foto: Assessoria)

 

Milhazes ainda reforçou que os prejuízos são incalculáveis. “Não dá pra mensurar todo o prejuízo, acho que só no momento de retorno. Mas já conseguimos identificar muitos deles, não apenas financeiros, mas atletas que ganharam peso, perderam massa muscular e a retomada é gradual. Os professores ficam desmotivados, porque não estão em atividade direta e isso prejudica muito. Já nos eventos, só acontecem em decorrência dos treinamentos. Mesmo que tudo isso passe, precisaríamos de pelo menos 45 dias para fazer um evento de nível competitivo. Em termos de eventos educacionais, estão ligados diretamente as escolas e os eventos sociais, teoricamente são mais fáceis, porque depende da permissão para atividades e de nós mesmos”, avaliou e concluiu com os esforços que estão sendo feitos para minimizar essas deficiências. 

“Entramos no segundo mês de atividades online com os técnicos. As segundas e quartas, eles estão se revezando, discutindo técnicas e procurando soluções e dando as suas aulas, como se fossem treinamentos de campo. Essa foi a maneira de mobilizar a encontrar os profissionais, uma forma de seguir valorizando esses profissionais”, finalizou.